-----Saí de casa meio murcha... Noite mal dormida, dor de estômago e um frio do cão (sim, porque tenho certeza que o inferno, ao contrário do que dizem, é totalmente congelado, um frio de rachar!) Cheguei no trabalho e mais frio... Fui me encolhendo até quase sumir.Monday, May 26, 2008
Hoje eu estou assim...ou quase...rs
-----Saí de casa meio murcha... Noite mal dormida, dor de estômago e um frio do cão (sim, porque tenho certeza que o inferno, ao contrário do que dizem, é totalmente congelado, um frio de rachar!) Cheguei no trabalho e mais frio... Fui me encolhendo até quase sumir.Monday, March 17, 2008
Lá fora e aqui dentro
Tuesday, March 11, 2008
Nosso amor é assim
-----Um só, juntinho...-----É criança e é velho, bem antigo...
-----É concreto, é de carne e osso, e ao mesmo tempo transcendente...
-----É colorido, parece passear em diversas realidades...
-----É aqui, é agora, e sempre foi...
-----É tudo, é nada, é o que se explica e o que nem quero tentar entender...
-----Tem razão de ser e ao mesmo tempo a própria razão desconhece...
-----É assim, eu e ele, nós, um só e um monte de eus...
-----É fogo e é ar, é água e é terra...
-----É algo que eu sempre desejei, sem nem ao menos saber que existia...
Desapego
-----Dezesseis dias.-----Dezesseis dias de lutas. Correria. Mudanças. Argumentações. Negociações. E a distância dolorosa do meu amor.
-----Foram várias fases: o distanciamento por ter tantas coisas novas para lidar; o prazer da solidão que há muito não vivenciava; o silêncio físico e interior; a reflexão sobre mim mesma; a reflexão sobre a relação; a angústia da distância; a alegria serena que ouvir sua voz no telefone...
-----Eu, de fato, acredito que nada nesta vida é aleatório e que existe uma razão especial para as coisas acontecerem da forma como acontecem. Portanto, seria incoerente eu afirmar que é injusta esta distância, que as coisas deveriam ter se resolvido mais rapidamente para trazê-lo de volta logo.
-----Paciência nunca foi um dom ou qualidade que se destacasse em minha personalidade. E sinto mesmo que neste momento estou como em outras vezes, sentido que o elástico chegou ao ponto de arrebentar. E, talvez, apenas talvez, seja justamente por isso que não posso deixá-lo arrebentar. Preciso superar a angústia e a ansiedade de ver logo tudo resolvido, pois então estarei realmente preparada para os bons resultados que virão. A conquista será plena: exterior e interior.
-----Dezesseis dias sem vê-lo, tocá-lo, beijá-lo. Dezesseis dias que exatamente hoje se desmoronam como o Arcano XVI. Sinto sua falta, mas sinto ainda mais o fato de não poder apalpar o dia do retorno. O vazio que há quando olho em frente é a verdadeira razão da angústia: retorno sem dia marcado, resolução de questões sem horário, encaminhamento fora do meu controle.
-----Respiro. Levanto, me movimento pela casa. Já fiz de tudo, de faxina à artesanato, de leitura à caminhadas intermináveis pelas ruas verdes do bairro. Nada supre a saudade que sinto dele, e ao mesmo tempo a sensação de plenitude em mim mesma se faz clara. Não é a falta de alguém, não é a falta de companhia, é a falta dele, que é meu par. Quando saio de dentro de mim mesma, olho em volta e percebo que poderia, posso, poderei sempre viver como ser autônomo e independente, mas que viver com ele é a parte mais verdadeira da minha existência. Não é que eu precise dele... É que sou com ele...
Saturday, March 08, 2008
Sunday, March 02, 2008
De volta ao Labirinto, mas num dia de sol :-)
-----Meditativa, porém feliz...-----Parece que a casa trocou de energia, pois JP ao acordar, do alto da sua rabugice adolescente, afirmou: "nossa, tô feliz hoje". Eu também... Estamos felizes nesta casa, sabe-se lá porque!
-----É fato que estou com minha percepção alterada há uma semana. Tempo demais para ficar "em trânsito", mas hoje aconteceu algo diferente e o distanciamento melancólico, que andava sendo alternado com agitação robótica, foi substituído pela profunda sensação de completude, apesar de ainda estar flutuando entremundos.
-----Cheguei naquele ponto silencioso interior, tão difícil de ser alcançado normalmente. E ainda assim com uma certa leveza, uma graça de fada, como uma brisa morna num dia de sol.
Saturday, March 01, 2008
De volta pra escola...
-----Pra não dizer que só vou elogiar, tá bom! Achei um defeito! A secretaria não tem janela, então, realmente fica um ambiente meio escuro e sem ventilação, a porta precisa ficar aberta o tempo todo, o que tb não é legal porque permite entra e sai de gente em um local onde estão todos os documentos da escola, além de deixar o secretário meio exposto. Pronto! Achei um defeito! rs Pelo que me falaram, o problema é que o prédio é alugado e o dono é um chato de galocha, que não deixa fazer reformas.
-----Está sendo muito interessante "pensar a escola" e não somente trabalhar nela. Eu, como jornalista, sempre achei muito limitado trabalhar em secretaria de escola. Da outra vez em que trabalhei foi mesmo por necessidade e não por gosto, até que percebi que tenho uma tremenda facilidade para serviço burocrático e que o ambiente escolar me agrada muito. Meus três planetinhas em virgem servem para alguma coisa! Que bom! :-)
-----Agora, estão surgindo outras oportunidades para serem pensadas. A primeira delas é o curso de pós-graduação em gestão escolar, que a prefeitura vai oferecer para professores e pessoal administrativo que forem efetivos e tiverem curso superior: me encaixo nessa! Fazendo essa pós, estarei habilitada a concorrer a eleição de diretora ou vice das escolas do município.
-----Também fiquei sabendo de uma pós em Libras que está disponível numa faculdade aqui da cidade e me encantou muito, mas muito mesmo esta idéia. Desde criança que sonho aprender a linguagem dos sinais e é muito estranho para uma pessoa como eu - profissional de comunicação e que fala pra caramba - imaginar a vida de uma criatura que não fala...rs O interessante é que com a política de inclusão, os profssionais pós graduados em Libras ganham um espaço bom nas escolas. No caso da cidade onde moro a coisa pode ir mais além... Como é um pólo turístico e com hotéis que recebem também convenções, encontros e seminários empresariais, um intérprete em Libras pode ser um prestador de serviço necessário.
-----E lá estou eu seguindo um rumo totalmente novo, diferente! O jornalismo dá tchauzinho de longe, apesar de a comunicação ser algo impregnado em minha alma!!!! rs
-----Vamos ver onde vou parar dessa vez... de preferência não vou parar!:-)))
Tuesday, February 26, 2008
Só para ter certeza...
-----O homem das mil faces na minha versão preferida: sabor Chocolate!-----Só para refrescar a memória...
-----Agora sim... Pés no chão e cabeça erguida! Posso não ser deste mundo, mas estou nele.
-----Bem concreta ;-)
Tentando me auto-resgatar do Labirinto...rs
-----Só mesmo usando a terapia do Don Juan, com doses maciças de música caliente e Johnny Depp. Coisa boa pra trazer a gente pro concreto! rsrsrs-----Uma palhinha.
No labirinto...sem o fauno...
-----Hoje, tive meus 15 minutos de Labirinto do Fauno. Este talvez tenha sido o filme com o qual mais me identifiquei nos últimos tempos.-----E hoje aconteceu de novo... A mesma sensação que tive quando vi o filme pela primeira vez. Uma saudade de algo que nunca vivi, uma sensação de inadequação... Fui tomada por um sentimento inexplicável, nem mau nem bom, que me fez andar pelas ruas tranqüilas, com lágrimas escorrendo por trás dos óculos escuros.
-----Desde as minhas lembranças mais antigas que tenho a sensação de que um dia vou voltar pra casa... para o meu mundo... para ficar junto daqueles que são como eu... Isso aos 5 anos é bonitinho... aos 15 é rebelde... aos 40 é ridículo...rs
-----Sei lá...
Eu quero! :-)

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha, essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser...
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer...
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque...
E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você...
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho no silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois.
Monday, January 07, 2008
Beija-flor que trouxe o meu amor...
-----Porque saudade é um trem que vai e vem, silenciosamente.
-----E amor é como estar bem, a gente repara mais quando não está.
-----Mesmo eu, que canso de dizer
-----Te amo, te amo e mais
-----Percebo o quanto é esse mais
-----Quando estou sem você
-----Foto tirada da varanda do nosso quarto.
Wednesday, January 02, 2008
Todas Elas juntas Num Só Ser (Lenine)

Não canto mais Babete nem Domingas
Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil;
Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon;
Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a tigreza nem a vera gata
Nem a branquinha, de Caetano;
Nem mesmoa linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha, do sertão pernambucano;
Nem Risoflora, a flor de Chico Science,
Nenhuma continua nos meus planos.
Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia do Los Hermanos.
Só você,
Hoje eu canto só você;
Só você,
Que eu quero porque quero, por querer.
Não canto de Melô pérola negra;
De Brown e Hebert, uma brasileira;
De Ari, nem a baiana nem Maria,
Nem a Iaiá também, nem minha faceira;
De Dorival, nem Dora nem Marina
Nem a morena de Itapoã;
Divina garota de Ipanema,
Nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel;
Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico;
Até das trinta Leilas de Donato,
E de Layla, de Clapton, eu abdico.
Só você,
Canto e toco só você;
Só você,
Que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo
E nem a amada amante de Roberto;
E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul;
Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg;
Nem, de Totó, na malafemmená;
Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho;
Nem a mulata mulatinha de Lalá;
E nem a carioca de Vinícius
E nem a tropicana de Alceu
E nem a escurinha de Geraldo
E nem a pastorinha de Noel
E nem a namorada de Carlinhos
E nem a superstar do Tremendão
E nem a malaguenha de Lecuona
E nem a popozuda do Tigrão
Só você,
Hoje elejo e elogio só você,
Só você,
Que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
De Mário Lago e Ataulfo Alves,
Não canto nem Emília nem Amélia,
Nenhuma tem meus vivas! E meus salves!
E nem Angie, do stone Mick Jagger;
E nem Roxanne, de Sting, do Police;
E nem a mina do mamona Dinho
E nem as mina – pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê e loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel, o Pensador;
Laura de Mercer, Laura de Braguinha,
Laura de Daniel, o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei:
Só outra reina no meu coração.
Só você,
Rainha aqui é só você,
Só você,
A musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça
Dessas que com seus dotes e seus dons,
Inspira parte dos compositores
Na arte das palavras e dos sons,
Tal como Madallene, de Jacques Brel,
Ou como Madalena, de Martinho;
Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry,
E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa
E a musa inspiradora Doralice;
Se me surgisse uma moça dessas.
Confesso que eu talvez não resistisse;
Mas, veja bem, meu bem, minha querida;
Isso seria só por uma vez,
Uma vez só em toda a minha vida!
Ou talvez duas... mas não mais que três...
Só você...
Mais que tudo é só você;
Só você...
As coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite;
É como a rosa, luz de Pixinguinha;
É como a estrela pura aparecida,
A estrela a refulgir, do Poetinha;
Você, ó flor, é como a nuvem calma
No céu da alma de Luiz Vieira;
Você é como a luz do sol da vida
De Steve Wonder, ó minha parceira.
Você é pra mim e o meu amor,
Crescendo como mato em campos vastos,
Mais que a gatinha para Erasmo Carlos;
Mais que a cigana pra Ronaldo bastos;
Mais que a divina dama pra Cartola;
Que a domna pra Ventadorn, Bernart;
Que a honey baby pra Waly Salomão
E a funny valentine pra Lorenz Hart.
Só você,
Mais que tudo e todas, é só você;
Só você,
Que é todas elas juntas num só ser.
Thursday, November 15, 2007
Da janela lateral do quarto de dormir
---É muito bom poder acordar, a cada dia, com expectativas novas, com tempo para ser administrado de acordo com as minhas prioridades e não com as ordens do patrão. É prazeroso aproveitar o final de tarde para fotografar todos os céus e todas as nuvens disponíveis, nos mais variados tons. É reconfortante poder ficar do lado de dentro de casa, o lado quentinho, olhando a chuva bater na vidraça com a violência típica das tempestades de verão (que neste ano resolveram chegar na primavera). Não tem preço a possibilidade de ficar tão próxima da família, podendo conversar, brincar, cuidar das pessoas que amo. É divertido fazer comidinhas gostosas e ficar esperando o momento da primeira garfada, a hora em que o Fê faz aquela cara de "pára o mundo agora, só pra eu sentir este sabor!" É gostoso preparar um jantar surpresa para que o filhote pergunte: "o que está acontecendo? Pra que isto tudo?", apontando a mesa arrumada e as velas acesas.
---Procuro aproveitar cada um desses momentos, sem a ansiedade do apego, sem aquela angústia de contar dias, semanas, meses, sabendo que daqui a pouco serei chamada e terei que fazer parte, novamente, da massa que segue, como robôs, a caminho do trabalho todo dia de manhã (e ainda agradece a Deus por ter um emprego, afinal, quanta gente por aí desempregada). Eu não faço parte deste mundo, não faço parte da mediocridade, não faço parte da cultura robótica. Não sou cega. Não morri. E fico mesmo assustada ao observar a forma com que as pessoas vivem e acreditam, de verdade, que não há outro jeito.
---Estamos aprisionados, escravizados, condicionados. Realmente acreditamos que para viver é preciso entregar a alma junto com a carteira de trabalho e nem ao menos percebemos que, ainda assim, mesmo abrindo mão do tempo para ficar com quem amamos, tempo para aprender mais, tempo para cuidar da saúde e do bem-estar, o máximo que conseguimos é sobreviver, não viver.
---E, sinceramente, não sei o que é pior: viver assim e achar normal ou despertar.
---Quero ser livre. Ninguém perguntou como eu queria viver. Ninguém quis saber quem eu sou, o que quero da vida ou quais são meus sonhos. Como dizia Don Juan: não honro acordos dos quais não participei.
Tuesday, October 30, 2007
Sunday, October 21, 2007
Quantas máscaras teremos que usar para chegar onde tudo começou?
---Quantas camadas devem existir entre a coisa mais parecida com nossa essência e o que mostramos por aí? Sempre que remexo o baú das lembranças, sempre que me disponho a olhar de frente para minha forma de sentir e pensar, fico perplexa!Existem máscaras e máscaras e máscaras sem fim...---O processo de desarmamento interno é duro, doloroso. O processo de se entregar ao outro, sem medo, sem "plano B" então... nem se fala! Um longo aprendizado!
---Depois da experiência de ontem, do sonhar da madrugada e da leitura de hoje concluo o óbvio: a mudança está sempre em nós. Não há como mudar o outro diretamente. Não temos o direito e nem o poder de mexer no outro, em suas crenças, sentimentos e decisões. Mas podemos olhar para dentro, modificar nossos próprios padrões de comportamento e pensamento. Podemos focar naquilo que queremos para a nossa vida. É verdade, não é lenda: o mundo muda se você muda.
---Acredito mais nisso a cada dia! Não como uma forma de crença aleatória... Acredito porque tenho testado e colhido os resultados. O mundo é misterioso... E ficamos insistindo em receber respostas racionais e lógicas em relação aos processos que nos cercam. Acontece que ainda não conseguimos explicar as nossas próprias ações e emoções, como poderemos explicar algo que sai do nosso corpo-limite?
---O ser humano repete sem parar os caminhos já conhecidos-percorridos. Sua dependência de coisas conhecidas é tão doentia que ele prefere repetir o que traz dor (ao menos é uma dor conhecida) do que arriscar no novo, que pode trazer alegria e contentamento. Que segurança é esta que buscamos?
---Não queremos ser manipulados, mas queremos determinar exatamente de que forma as coisas acontecerão. Não queremos que nos dêem ordens, mas queremos ordenar exatamente o grau de importância de sentimentos, conceitos e outras coisas abstratas para que eles recebam maior ou menor atenção em nossa vida corrida.
---Ao invés de ficar brigando com tudo e todos, prefiro ser a Senhora do meu próprio Reino Interior. Neste lugar eu poderei retirar todas as máscaras, as camadas de mágoas e ressentimentos, as frustrações que tiram o brilho dos olhos, as decepções que nos afastam do amor, a dor que leva à letargia... Então, magicamente, a transformação virá. E haverá um tempo em que não mais saberei onde termina meu Reino e onde começa o mundo (chamado) real. E ao invés disso ter o nome de loucura, insanidade... isto será lucidez... sábia lucidez...
---(Obrigada, Lilia, que tem me mostrado as placas indicativas no caminho da lucidez)
Saturday, October 06, 2007
Vincent (Don Mclean)
"Estrelada, noite estrelada
Pinte sua paleta azul e cinza
Olhe ao redor em um dia de verão
Com olhos que conhecem a escuridão em minha alma
Sombras nas colinas
Rabisque árvores e narcisos
Pegue a brisa e o frio do inverno
Em cores das plantações de algodão cobertas pela neve
Agora eu entendo
O que você tentou me dizer
E o quanto você sofreu pela sua lucidez
E como você tentou libertá-los
Eles não ouviriam
Não sabiam como
Talvez agora ouçam
Estrelada, noite estrelada
Flores flamejantes que resplandecem
Nuvens rodopiando em um nevoeiro violeta
Refletem nos olhos azuis porcelana de Vincent
Cores mudam de tonalidade
Campos matinais de grãos ambarinos
Rostos marcados pelo tempo alinhados em dor
São suavizados pelas mãos amorosas do artista
Agora eu entendo
O que você tentou me dizer
E o quanto você sofreu pela sua lucidez
E como você tentou libertá-los
Eles não ouviriam
Não sabiam como
Talvez agora ouçam
Pois eles não conseguiam te amar
Mas mesmo assim seu amor era verdadeiro
E quando não havia mais esperança naquele estrelada, noite estrelada
Você tirou sua vida como normalmente fazem os amantes
Mas eu poderia ter-lhe dito, Vincent
Esse mundo não foi feito para alguém tão bonito como você
Estrelada, noite estrelada
Retratos pendurados em salas vazias
Desmoldurados em paredes anônimas
Com olhos que observam o mundo e não conseguem esquecer
Como aqueles estranhos que você conheceu
Homens esfarrapados, em roupas esfarrapadas
O espinho prateado da rosa ensangüentada
Estende-se esmagado e quebrado na neve virgem
Agora acho que entendo
O que você tentou me dizer
E o quanto você sofreu pela sua lucidez
E como você tentou libertá-los
Eles não ouviriam
Ainda não ouvem
Talvez nunca ouvirão"
Monday, October 01, 2007
A Língua do P
---Não existe destino e nem fatalidade, afirmam alguns... No entanto, percebo que certos questionamentos e certas situações parecem dar voltinhas durante algum tempo, para depois retornarem ao centro da nossa testa, também chamado de ajna ou o chakra da visão, ou seja, retornam ao mesmo lugar de onde - parece - nunca saíram, o nosso foco, a nossa atenção.---
Sunday, September 23, 2007
A vida começa aos 40!
---Passei muitos anos da minha vida agindo de uma forma que julgava ser a perfeita ou a perfeita para os outros (que são coisas distintas) e me esqueci de agir de uma forma perfeita pra mim (que é uma terceira coisa). O resultado não poderia ser pior: não era bom pra ninguém! Muito menos perfeito! Cerca de 100% de insatisfação na estatística...rsFriday, September 14, 2007
AF e DF
---Certa vez, meu sábio amigo Ronald Fucs (que ele não me leia, senão ficará todo bobo! rs) afirmou, com um grau de seriedade incomum: "a vida das pessoas se divide em antes dos filhos e depois dos filhos!" Segundo ele, essa experiência mágica e transcendente transformava seres naturalmente preocupados com o próprio umbigo em criaturas mais conscientes da existência do outro, menos egoístas, mais generosas.---Passado tanto tempo, e hoje com um filhote de 14 anos, sou obrigada a concordar com meu querido amigo. Não é que o fato biológico, puro e simples, seja capaz de tal transformação... até porque conhecemos criaturas que tiveram filhos mas não são mães, nem pais... No entanto, quando a maternidade e a paternidade acontecem, de verdade, elas mudam a nossa perspectiva de vida de forma avassaladora. Talvez seja esse o espetacular momento em que a pessoa mais importante do mundo não pode ser mirada somente em frente do espelho, aliás, normalmente ela dorme o sono dos justos, o sono dos anjos, aquele que ficamos velando como bobos.
---Nunca fui lá uma criatura de muitas frescuras... Mas depois que o meu filho nasceu percebi como certas coisas que parecem tão importantes no A.F. viram tolices no D. F. Como costumava dizer, uma pessoa que é capaz de me acordar três vezes por noite e não sofre uma agressão, nem que seja verbal, com certeza é muito especial.
---O tempo passa e vamos aprendendo a abrir mão do último pedaço do doce favorito, do lugar mais confortável, do tempo para ficar só, das saídas noturnas diante de um rostinho triste, do sono quando a dor de garganta ataca de madrugada... E percebemos que a felicidade de outra pessoa pode ser mais importante do que a nossa e a alegria de outra pessoa pode nos deixar mais felizes.
---É claro que também é preciso ensinar os filhos a compartilhar, a compreender as necessidades dos outros, inclusive dos seus pais. É preciso mostrar os primeiros rascunhos do que você já aprendeu e no futuro ele aprenderá: que o próprio umbigo não é o sol da humanidade. Mas não há dúvida que somente quem aprendeu o amor aos filhos consegue ter um vislumbre do amor divino, do amor essencial e desapegado. Tudo bem... é só um vislumbre... uma olhadela pelo cantinho da cortina levantada... Mas já é alguma coisa, algo a mais que o próprio reflexo no espelho.
Na moda, ou não...
---Esse período em casa tem me deixado muito reflexiva...Nesta fase de reavaliar tantas coisas na minha vida, tenho pensado que me incomoda muito a sensação de estar sempre atrasada. Talvez o fato de não ter tido a ousadia e a iniciativa de fazer certas coisas na época certa me colocaram pra fora de um processo que hoje floresce, frutifica, “virou moda”, tá no topo.
---Pegando carona nestes pensamentos, também percebi que tenho um certo talento metafísico de prever movimentos culturais. Não, não é uma questão de estar antenada com locais de agito ou utilizar as cartas de tarot para prever as tendências. Simplesmente acontece! A última agora foi em relação a algo tão íntimo e pessoal quanto minha vida doméstica. Venho passando por transformações profundas, questionamentos antes inquestionáveis sobre: trabalho, carreira profissional, casa, família, talentos, gostos... Descubro que desejo muito mais um caminho de beleza, criatividade e extremamente doméstico, do que a tal carreira profissional de sucesso, para logo em seguida descobrir que não sou só eu. Caramba! As mulheres estão na contramão da história!
---Não sei se não estava mais satisfeita sozinha. O problema agora é esse negócio virar moda e eu ficar só na moda ao invés de ficar só na minha. Não que isso também seja problema, mas não confere com a realidade.
---Já que o plano A e o plano B já se foram, vamos agora para o plano C – de Cláudia – o plano para viver a minha vida, do jeito que quero e gosto.
Friday, August 31, 2007
Muitos eus em ação
---Encontrei esta foto em um dos sites por onde passei (não me lembro qual, que vergonha!) E achei muito perfeito, porque somos fragmentados, temos vários "Eus", como o Fernando vive me lembrando aqui! Mas, eu costumo ponderar: se unificar todos eles e encontrar o seu Eu Superior ou Eu Integral é tão complicado, que ao menos consigamos fazer com que essa galera reme o barco para o mesmo lado ;-)---Tenho entrado em acordo com os meus eus. Às vezes eles são meio rebeldes, mas de um modo geral têm conseguido trabalhar em equipe.
---Então, resolvi criar espaços específicos para pelo menos três deles: o eu escritor viajante, o eu tarólogo e o eu "prendado", que adora cozinhar, mexer na terra, fazer artesanato e coisas de mulherzinha. Tenho o prazer de apresentá-los a vocês:
A moça escritora: pitacosdamorgye@blogspot.com (você já está aqui!)
A mulher prendada: bichofofo@blogspot.com
A anciã dos mistérios: viatarot@blogspot.com
Tem mais gente aqui dentro, mas por enquanto só essas três têm direito à publicidade...hehehe
Thursday, August 23, 2007
Vejo flores em você!
---Obrigada, mãe! :-)))
---Estava reparan- do agora mesmo que eu, que sou jornalista e sempre fui mais escritora do que qualquer coisa, ando escrevendo menos e postando mais os meus feitos artísticos ou a natureza que me cerca. Acho que estou trilhando o caminho do abstrato para o concreto. Fazendo da minha vida algo menos planejamento estratégico e mais mão na massa. E estou adorando!
---Aliás, preparem-se porque creio que em breve teremos também uma máquina de fazer macarrão em casa. Então, de assessora de comunicação talvez eu consiga me transformar em um híbrido de artesã taróloga chefe de cozinha alquimista paisagista decoradora de (vidas) ambientes. Ufa...rs
---Tô feliz...
---Ah! Olha que lindos os anéis que estou fazendo! Aguardo encomendas! Estes em breve estarão na loja do Caminho do Artesanato. Pra quem for de São Lourenço, é só dar um pulinho na Aldeia Vila Verde, loja 62 (mãe, nem vou cobrar pela publicidade). Pra quem não for daqui... hummm... a gente despacha pelo correio! É só escrever cmg@starweb.com.br
Os primeiros sinais da primavera
---Então... Então que os pés de rúcula já estão dando flor! Aliás, não somente eles. Meu quintal já está ensaiando a explosão orgástica da primavera. Hehehe! As amoreiras estão absolutamente lotadas de frutas, por enquanto são quase que umas florzinhas esquisitas, mas em breve serão amoras polpudas e da cor mais bela que há!
---Por enquanto, ficamos com as flores de rúcula que agora enfeitam a mesa da cozinha.
Thursday, August 09, 2007
Livro das Sombras
---Em fase de artesã, continuo descobrindo o prazer de criar coisas fofas em geral e às vezes coisas mais radicais.---A criação da vez foi uma capa de feltro decorada para um caderno espiral, meu novo Livro das Sombras. Na verdade, nunca consegui ter um Livro das Sombras daqueles tradicionais, acabo escrevendo várias coisas como sonhos, percepções, intuições, além de receitas de chás, banhos, incensos, etc.
Sunday, August 05, 2007
Lá vem o sol...
---Depois de uns 20 dias de frio intenso, o sol resolveu comemorar o sabath de 1º de agosto na real, ou seja, retornando mesmo! Que bom! Não aguentava mais passar 24 h por dia cheia de casaco e com pilhas de cobertores em cima para conseguir dormir a noite.--- Que venha o sol!
Ho!!!!!!
---Ho!!!!!
Ai, ai, ai!!!! Estou atrasada!!!!
Friday, July 20, 2007
Receita pra ganhar beijinhos
---Não sei como a coisa funciona em casa alheia, mas na minha casa comida gostosa merece beijinhos! Não na comida, claro, mas na cozinheira! Eu, no caso! rs Aliás, bastariam os suspiros que o Fernando dá quando come em deleite algum quitute que eu faço, mas, como sou uma garota sortuda, eu ainda ganho beijos, elogios e carinhos. Ê, vida boa!!!---Para quem quiser tentar para ver se dá certo em casa, vou passando algumas receitinhas que costumo fazer e que sempre agradam. A de hoje foi meio na pressa, depois de passar metade do dia limpando e arrumando a casa e a outra metade redigindo um projeto de comunicação para entregar na segunda-feira, mas ainda assim ficou muito bom o resultado. Pra quem não gosta de perder tempo na cozinha então... melhor ainda!
---Espaguete "Até que enfim é sexta-feira!"
---Ingredientes:
---meio pacote de macarrão (o Fernando gosta mais de espaguete, mas pode ser de outro tipo...melhor descobrir que tipo de macarrão a "vítima" prefere)
---3 dentes grandes de alho
---1 maço de rúcula (gente, não é pra botar inveja não, mas a minha eu colho no quintal, rs)
---1 galhinho de manjericão (idem...rs)
---1 lata de atum light (daqueles em água e sal)
---meia lata de molho de tomate
---um pouco de orégano, um pouco de sal, um pouco de pimenta (fiz um molho de pimenta leve e costumo usar pra isso, depois eu passo a receita também)
---Como fazer:
---Cozinhe o macarrão e escorra. Numa panela coloque um pouco de óleo de milho, o alho picado e refogue. Depois acrescente aos poucos, mexendo sempre, a rúcula, o atum, o manjericão e o molho de tomate. Se vc fez o macarrão al dente então é legal porque dá para colocar um pouquinho de água, jogar o macarrão na panela e mais os temperos e deixar ferver um pouquinho. Mas só um pouquinho!
---Com um vinhozinho vai muito bem depois de um dia agitado!
Tuesday, July 17, 2007
Uma simples margarida...
---Pois bem que minha amiga Cris recebeu o con- selho e passou adiante: a grande sacada é ser uma simples margari- da!!!---Durante um tempo eu nem quis acreditar, pois estava tão viciada na minha postura atu- ante, militante, descolada, ques- tionadora... blablablá... que não podia acre- ditar numa exis- tência sem isso tudo e o stress que isso nos traz. Incrível descobrir que existe vida além do papo-cabeça! rs
---Estou adorando esses meus dias de simples margarida!!!! Estou colocando meus conceitos de pernas pro ar e meus pés descansam pra cima (literalmente! Olha a foto!) enquanto eu costuro, bordo, desenho (na verdade, é uma tosca tentativa), uso meus lápis-aquarela, faço doces deliciosos para os meus amores e leio, enquanto bebo vinho... ou curto o sol se pondo na varanda... ou mexo na horta, desbasto as cenouras, colho rúcula... ah, sim, e namoro. Porque é sempre bom namorar quem a gente ama, principalmente se ele mora com a gente e nem é preciso sair de casa para encontrá-lo!
---Retorno ao trabalho no dia 30, mas num ritmo bem mais suave. Ainda assim, depois de passar esses dias maravilhosos, dá para entender o que a Lília quer dizer quando colocou o nome do seu blog de "vadiando". A palavra, que teria uma conotação negativa para mim, há algum tempo, hoje me parece muito agradável. Bem que meu pai dizia que eu tinha sido contaminada pela síndrome da revolução industrial e não conseguia parar de produzir (ou ao menos pensar em produzir)! Mas estou em tratamento e, em breve, estarei curada. Às vezes nos preocupamos tanto em fazer coisas que nos esquecemos de, simplesmente, viver. Tenho vivido.
Tuesday, July 10, 2007
O Bosque Encantado

---Que bom que relembrei!!!
---Eu e Fernando descobrimos um bosque muito lindo, pertinho da nossa casa e agora é nosso lugar mágico de estimação.---Aproveitei para colher pinhas e bambus que estavam caídos pelo chão, pedindo, é claro, autorização para o elementais do local. E é bom pedir mesmo, porque ali é possível sentir a presença de guardiões, de olho, vendo o que se faz.
---O que é mais surpreendente é que esse bosque fica entre uma rua de terra - meio escondida, mas dentro do bairro onde moramos - e (pasmem!) um tipo de boate ou forró, ou as duas coisas juntas, chamada de "Escondidinho". Não sei como aquela área ainda consegue estar tão preservada! Os elementais-guardiões devem ser mesmo muito competentes!
Wednesday, June 27, 2007
As flores de crepom não morrem!

Numa rápida tentativa de imortalidade, retornei às flores de crepom. Isso me relaxa... E depois quando vejo o resultado, fico encantada com as cores e encantos de algo que parece ganhar vida depois de algumas dobras, cortes e apertos.
Elas vão para a lojinha da mamãe - Caminho do Artesanato - e de lá para o mundo, tal qual suas irmãs e primas, que também se hospedaram por lá durante algum tempo.
Estou em fase de criação... Gerando filhotes *BFs, que se espalham por todo canto. Faz bagunça, mas é bom. Sinto falta da capacidade de gerar beleza. Em breve teremos mais filhotes de raças e tipos diferentes. Uns vão pra loja outros ficam aqui, outros viram presente.
Dois dias para o início do inferno astral... deve ser isso...
* BF = Bicho Fofo... uma linhagem de seres encantados que se caracterizam pela incrível capacidade de amar e rir. Também existem réplicas de BFs confeccionadas através de trabalhos manuais e até mesmo em produção industrial. Na verdade, BF tornou-se um conceito de tudo aquilo que é bicho... e é fofo...
Wednesday, June 13, 2007
Viva Mariazinha e seu colega de quarto mal-humorado
Santo Antônio tornou-se popular como santo casamenteiro. Talvez por nunca ter tido muito problema neste departamento, sempre me interessei pelo lado mais, digamos, "hardcore" de Santo Antônio!!! Tuesday, June 12, 2007
Wednesday, June 06, 2007
Balada da Louca
Às vezes eu acho que estou enlouquecendo... mas talvez esteja só amando.Puxo um questionário mental e vou colocando o "ok" ao lado de cada ítem:
Muitos suspiros? ok
Anda sonhando acordada? ok
Sente as pernas amolecerem diante de um encontro inesperado? ok
Ri por bobagem? ok
Sente uma estranha sensação de felicidade sem razão aparente? ok
O questionário se estende longamente e todas as perguntas recebem um "ok".
Blablablá... nhenhenhén... tudo aquilo...rs Eu quero muito e mais. Até apelidos fofos e várias datas comemorativas para vários começos. Saudade de 9 horas de distância, como se fossem meses! Fazer declarações pudins-bolos-pães-de-amor-doce. Treinar "beicinho" pra ganhar massagem e ficar até tarde conversando (e há tanto a dizer!), como se o sono fosse uma viagem que nos colocasse distantes. Seria capaz de contar mil razões para amá-lo ainda mais e ainda assim pareceria pouco. Porque tem horas que parece que nem cabe dentro de mim, tanto amor e tão intenso, mas então eu suspiro e rio... e percebo que ainda cabe mais um pouco, e mais um pouco, pra sempre.
Monday, June 04, 2007
A maravilha de ser mulher!
Eu acho muito incrível ainda conseguir rir de coisas, que numa situação normal seriam razão de tristeza. Tenho feito isso constantemente. Quando o despertador toca às 7 horas e eu preciso sair da cama, onde estou confortavelmente instalada, tão quentinha de cobertas e de amor, minha vontade é chorar... ou fazer pirraça, que nem criança! Mas lá vou eu... me arrastando. Saio de casa sem querer sair, deixando pra trás tudo que mais amo na vida: meu filho, meu marido, casa, livros, jardim, panelas vermelhas luminosas prontas para a alquimia e tantas coisas para enfeitar e mudar de lugar.Por causa da corridinha já conquistei alguns benefícios: várias criaturas, conhecidas ou não, sensibilizadas pela minha correria matutina, pararam o carro e me ofereceram carona. E no dia seguinte, quando tudo levava a crer que eu tomaria jeito e sairia de casa mais cedo, repito o atraso... Que culpa eu tenho de ter um lar tão aconchegante e uma família adorável?! Em pensar que passei minha adolescência e grande parte da vida adulta desejando e batalhando por uma vida profissional movimentada, que me deixasse longe dos serviços domésticos (castigo de quem não tem talento e nem capacidade de desenvolver uma bela carreira profissional, segundo os meus conceitos naquela época) Hoje, daria tudo para restringir minhas atividades extra-casa a tímidas 4 horas/dia, para poder criar meus textos, dar consultas e aulas, cuidar da família e do espírito... tudo em casa, meu templo, meu reino...
Enquanto isso não acontece, continuo saindo de casa às pressas, correndo pelas ruas e rindo muito, lembrando da música tema do seriado "Mulher Maravilha" Me sinto a própria! Porque, realmente, tem que ser uma super-heroína para ficar tanto tempo longe de tudo que eu mais amo.
Tuesday, May 22, 2007
Amores, amoras e morangos
Tenho achado esta experiência de amar muito estranha. Tenho achado, cá pra nós, tudo em relação a todos (inclusive eu mesma) muito estranho. Então parei de tentar explicar e buscar a lógica. Simplesmente sinto! Mas o que a gente faz com aquilo que a gente sente, mas não gosta?Nem que seja uma vez por semana! É assim que quero... É assim que gosto...
Tuesday, May 01, 2007
O que há comigo?
Certa vez, briguei feio porque me dis- seram que eu era tão inquieta, mas tão inquieta, que quando tudo parecia perfeito eu arrumava uma razão para ficar infeliz. Talvez so- mente pelo desafio de superar o conflito do momento e re- tornar à, nem sem- pre confortável, sen- sação de felicidade.Achei um insulto esta afirmativa! Na minha tradução simultânea, de português pra português, estavam me chamando de neurótica. Mas hoje, refletindo com calma, acredito que havia e há um tanto de razão naquela exótica acusação. O estado de felicidade plena me assusta de uma forma inexplicável. Quando tudo parece estar estranhamente em seu lugar, tudo em harmonia, tudo sincronizado e no coração um calorzinho dizendo, como Dorothy, que não existe lugar melhor que nosso lar... Deuses! É porque a cortina está prestes a se fechar, o The End vai se fazer notar ou então, pior, vem por aí a virada da história, a parte do final supresa digno de Shyamalan.
Também existe uma outra possibilidade: algo inconsciente em mim se sente na obrigação de interferir no andamento das coisas. Se tudo está péssimo, tenho que tomar providências! Se tudo está ótimo, também... O que nos leva a crer que a mente humana é dada a disparates e incongruências. Deve ser mesmo a tal mente do predador.
A loucura de hoje foi a busca da arte e do belo, aventura antiga na qual costumo me lançar e sair sempre arranhada e frustrada. Meu irmão ficou com a melhor parte dos talentos genéticos da família: o desenho e a pintura. Para mim restou encher os balõezinhos... Uma colega sofredora, operária das letras (como costumo chamar a "peãozada" com diploma de jornalismo) repete que "jornalismo é ofício" e isto, apesar de ser uma realidade, tira ainda mais qualquer conotação artística de nossos atos diários.
Enquanto tantos se orgulham de sua produção intelectual, eu fico chorosa e inconformada de ser tão inútil dentro do universo pós-Revolução Industrial: eu não produzo nada de concreto! Porque pensar e escrever é tão abstrato... Penso obras de arte, mas não sei construí-las. Imagino vestimentas e até sei costurá-las mentalmente, mas na hora de encarar o corte de tecido e a máquina, chego no máximo ao furo no dedo. Isto sem falar na angústia de não conseguir traçar duas linhas retas e paralelas, nem com a ajuda de régua! Até hoje não sei como passei no psicotécnico para tirar carteira de habilitação.
Enfim... Pensar eu até penso (apesar de certas criaturas afirmarem que "penso mal"), escrever, eu escrevo... Planejar, organizar, administrar, fazer projetos... Nossa! Sei fazer todas essas coisas profundamente subjetivas e (in)visivelmente abstratas. Mas de concreto mesmo só a dor de cabeça que me dá quando entro nessas discussões, sejam internas ou externas.
E agora, que já acabei de pensar, organizar as idéias e escrever (produções mágicas do abstrato) - ufa!!! exorcizei! - vou para a parte mais gostosa e realmente bela: procurar uma imagem que ilustre isso tudo e sonhar com o dia em que serei capaz de desenhá-la.
PS: e como a sábia sincronia nunca me deixa sem resposta, sem querer parei num site que fala sobre Frida Kahlo e fui obrigada a relembrar outros sofrimentos e torturas, bem mais concretos, de alguém que concretamente produzia a beleza e os horrores dessa vida. Com essa, fico quietinha com minha medíocre felicidade por mais algum tempo.
Monday, April 30, 2007
Magia simpática e bonita

A última novidade que tenho para contar está nos fundos lá de casa... Meu lindo jardim mágico! Passei o final de semana plantando mudas e sementes, molhando, remexendo a terra e conversando com o invisível. Meu lado sonhador ousaria afirmar que seria capaz de viver fazendo somente isto: mexendo em jardins. Mas tenho a consciência de que a síndrome de abstinência das palavras, a fome de pensamento e a sede do discurso crítico me deixariam morrer à míngua, lentamente.
Só que por estes dias, às vésperas de nascer e enfrentado as mais exóticas adversidades, estou cercada de vida aromática e ervas amorosas. “Há flores em tudo que eu vejo!” E este acaba sendo o melhor antídoto contra malefícios. Recebo em meu útero-caldeirão os melhores ingredientes para o encantamento e protejo meu lar distribuindo uma pitada de amor em cada um dos quatro cantos.
“Meu amor... você me dá sorte na vida...”
Thursday, January 25, 2007
Nestas manhãs chuvosas de verão...

Já deixei tanta coisa pra trás... Coisas boas, coisas ruins, coisas com prazo vencido... Mas tenho algo de nostálgico em mim. De vez em quando, principalmente nestes dias de chuvas que têm sido constantes, fico olhando pela vidraça do trabalho (tenho a bênção de ficar de frente para uma árvore frondosa, cercada de outras tantas árvores menores) ou pela janela de casa, admirando a capacidade que a chuva tem de arrancar aromas da terra, das plantas, de mudar o cheiro e a temperatura do ar. Nestas horas eu me lembro de tantas coisas e pessoas que passaram pela minha vida. Isto é bom.
Gosto da minha bagagem, minhas tranqueiras emocionais que o Fernando sempre diz que preciso despachar. “apague a história pessoal! Apague a história pessoal!”, esta é a orientação dos xamãs, mas, penso eu, se não ficarmos por demais apegados a ela, por que não guardar algumas fotos, alguns filmes mentais? Ou talvez melhor ainda: sem guardar nada, ainda assim fechar os olhos e relembrar... para depois, suavemente, libertar as memórias e deixá-las bailar soltas sob a chuva.
Já vivi mais no passado. Também desejei fervorosamente que o futuro chegasse logo, já que o presente me fazia sofrer tanto. Mas, atualmente, estou vivendo o aqui e agora de uma forma totalmente nova para mim. Nunca tive tanto prazer de viver e a vida assim, exatamente do jeito que está, tem tido gosto de sexta-feira à noite... aquela coisa cheia de uma preguiça sedutora e de expectativa pelo que vem a seguir, tranqüilidade e ação combinadas com harmonia. Não tem um dia que não seja bom, não tem um dia em que não acorde e vá dormir feliz, em especial pela maravilhosa companhia que dorme ao lado.
Esta consciência tão ampla e lúcida do viver no presente é que tem me permitido uns minutinhos de nostalgia, quando o barulho da chuva atrapalha os pensamentos concretos e lineares de algum texto que está sendo escrito. A vidraça é um bom portal da memória... E entre as gotas brilhantes de chuva que escorrem na janela eu descubro um sorriso, um gosto de torta de maçã, o cheiro do perfume de um homem que já amei, meu filho mexendo dentro da minha barriga, a pele quente depois de um dia na praia, a emoção de um reencontro... como um mosaico, tudo surge na minha frente. E o mais incrível é que consigo, em seguida, deixar cada uma dessas lembranças refletidas nas gotas de chuva da janela e volto à minha vida presente, prazerosa e bela, porque o melhor lugar do mundo é aqui e agora.







