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Sunday, February 09, 2014

Quanto vale uma peça de roupa?


Outro dia eu comentava no FB o meu gosto especial por comprar em brechó. As razões são várias: encontrar roupas de qualidade, bons preços e ter uma atitude sustentável. O consumo consciente é um dos maiores desafios da nossa sociedade, onde pessoas compram por impulso, por carência, por tristeza, por alegria, por não saber o que estão fazendo.

Quando entro em um brechó, preciso estar bem consciente e lúcida em relação ao que estou fazendo. Preciso prestar atenção na roupa (tem algum defeito? algum rasgadinho? faltam botões? está muito desgastada?), preciso olhar muitas para descobrir aquelas que vão, de fato, me atender e me agradar. Bem diferente de entrar em uma loja e olhar só a beleza superficial de cada peça. 

Como eu fiz uma excelente compra em um brechó nessa semana que passou, tenho refletido muito sobre tudo isso nesses dias... Então, ontem eu li um interessante artigo falando sobre a consciência do custo das coisas e o fato (que preferimos esquecer) que roupas muito baratinhas demais normalmente significam trabalho semi-escravo e violação total de direitos humanos. Cá pra nós, até as roupas bem caras também envolvem isso muitas vezes, vide os escândalos da Zara e da Nike.

Então, juntei tudo isso e percebi que sempre fui bastante sensata na hora de comprar roupas. Costumo dizer que não pago determinados valores nem se eu tiver dinheiro sobrando, porque simplesmente acho que não vale. Mas também não quero pagar menos do que o justo ou o lógico. Exemplo: normalmente, quando compro um jeans novo aceito pagar algo em torno de uns 70 ou 80 reais por ele, porque entendo ser um valor justo. Talvez, se eu tivesse mais dinheiro em caixa para gastos com roupas, eu comprasse um jeans de 150 reais, mas eu tenho certeza que, mesmo se tivesse dinheiro sobrando, jamais daria 500 reais em um jeans. Porque, simplesmente, não vale! Agora, a sorte é que já consegui comprar jeans Colcci e Yes, Brazil praticamente novos por 10 reais cada. Viva os brechós! :-)

Por outro lado, comprar blusas novas por 8 reais, vestidos por 15, a não ser que se trate de uma queima de estoque ou algo assim, nos leva a pensar: 1) que a matéria prima é de péssima qualidade 2) que a mão de obra foi praticamente escrava. No primeiro caso, a roupa vai se dissolver em pouco tempo e no segundo caso, nossa consciência também pode ficar em frangalhos, se tivermos um pouquinho (só um pouquinho) de ética e humanidade.

Qual é o valor dar coisas? Como podemos calcular isso e decidir o que é justo e o que não é?

Bem, eu vou passar algumas coisas que eu costumo fazer.

Um bom cálculo a se fazer é: uma roupa comprada pronta deve ter, mais ou menos, o mesmo preço de uma roupa feita em costureira. Por que? Porque em função da quantidade de matéria prima comprada, a roupa pronta deveria ser mais barata, por outro lado, em função do design e dos gastos publicitários essa diferença desaparece ou até pesa um pouco pro outro lado. Aí vem a segunda parte da história... Em uma cidade pequena é possível fazer um vestido bacaninha (sem ser de festa) por uns 25 ou 30 reais de feitio... E mais uns 20 reais de tecido (se tiver a sorte de ser pequeninha como eu...rs). Então, calculo um vestido a 50 reais. Pela minha lógica, um vestido comprado pronto deve ser no mínimo uns 40 reais (se a empresa gastar muito pouco em publicidade) e no máximo uns 70 reais, não mais que isso.

Bem diferente da realidade que vemos por aí, não? rs

Agora, se nós estivermos falando de brechós, tudo muda bastante... E pra melhor!



Vamos lá para o resultado das últimas compras em brechó:

1) Vestido de malha fofo e romântico, praticamente novo: 22 reais 
2) Blusa em perfeitíssimo estado da Adriana Barra (que deve ter custado uns 300 reais): 18 reais e short jeans - mega confortável e com modelagem linda - com detalhe em couro do lado: 18 reais
3) Blusinha básica de malha, com detalhe de nervurinha nas mangas e três botõezinhos pequenos no punho: 12 reais e saia estampada de algodão: 14 reais.

O total foi 84 reais e a dona da loja fez por 80, porque eu sou cliente antiga. :-) Provavelmente, este foi o valor só do vestido quando comprado na loja...

Comprar em brechó é divertido, exige da nossa criatividade e nosso senso de observação, além de ser uma atitude inteligente em termos financeiros e ambientais. Já comprei em brechós "físicos" e em brechós online e posso dizer que meu nível de satisfação com as peças que comprei é de 90% (os 10% ficam por conta de coisas que não temos como experimentar, quando compramos online).

Fica a dica! :-)



Monday, March 25, 2013

A moda e os limites do bom senso


Uma pessoa como eu, que curte o vestir como expressão de ser, que fica fascinada com alguns desfiles do SPFW, que entende que a beleza tem o seu espaço e sua função numa sociedade, não tem como não entrar em conflito como uma série de coisas...

Não vou nem falar da questão do trabalho semi-escravo (coisas que já pipocaram sobre a Zara, sobre a Nike, agora esta reportagem...), porque isso aí é totalmente sem comentários! Não é possível que um pedaço de pano para cobrir o corpo seja mais importante que a vida das pessoas... Mas falo de outros detalhes também, falo da futilidade, da colocação da moda como uma exigência que define se você será considerado ou não, contratado ou não, incluído em grupos sociais ou não... Acho tudo isso muito triste. Quantas pessoas que trabalham com moda têm uma visão mais humana, têm mais bom senso?As meninas da Oficina de Estilo fazem parte desse pequeno grupo e lançaram há pouco tempo o slogan: "substitua consumo por autoestima". Achei brilhante!

Além disso, temos algumas questões ambientais que não devem ficar de lado e, aliás como em vários outros setores, só acontecem por conta de um consumo que está muito além do razoável. Um exemplo disso são os sapatos de couro (sola, inclusive) que impedem o acúmulo de energia estática e são muito mais saudáveis. No entanto, uma coisa seria se cada pessoa tivesse (vamos lá, dar uma colher de chá para mulheres que gostam de variar) seis ou oito pares de sapato... outra coisa são criaturas que possuem 20, 30, 50, 100 pares de sapato! Nem se todo o planeta virasse pasto para gado seria possível calçar a humanidade com sapatos desses. E olha que nem analisei o conceito "crueldade com os animais".

Estamos caminhando para uma situação de total absurdo em termos de consumo de roupas, sapatos e acessórios! Até eu, que sou uma pessoa ponderada, econômica e lúcida em relação ao consumo, tenho consciência de que possuo mais do que deveria. A forma de perceber isso é simples: existem roupas que eu olho toda vez que abro o guarda-roupa ou uma gaveta e penso "não, esta não..." Então, a pergunta que não quer calar: o que ela está fazendo ali?

Outro dia, pela primeira vez na vida, comprei um vestido por puro impulso. Mais de 40 anos de vida e nunca tinha feito isso! Mas foi assim: estava de saco cheio, estava irritada, estava precisando me achar melhor e mais bonita, entrei em uma loja para comprar o que eu precisava (um sutien branco) e saí de lá com um conjunto de calcinha e sutien branco e um vestido preto sexy e lindo! Ok, para um vestido preto, sexy e lindo, o preço nem foi tão absurdo... Mas, além de ter sido mais caro do que um valor que considero justo, a verdade é que eu não o comprei porque estava precisando... Eu comprei aquele vestido porque - o "cachorrão" - ficou lindo no corpo e eu precisava tanto ser mimada...rs

Não sei se a maioria das mulheres compra tanta roupa porque vive irritada ou precisando se sentir mimada, mas eu creio que se isso for assim, temos uma estatística muito negativa sobre o estado emocional feminino, levando-se em conta que isso não costuma acontecer só uma vez em 40 anos. E não vamos falar somente de mulheres, porque os homens também têm suas frescuras, só não costumam envolver o vestuário.

Hoje, eu tenho uma meta em termos de roupas, sapatos e acessórios: o mínimo que seja "o máximo"! Minhas roupas cabem no equivalente a duas portas (pequenas) de armário e cinco gavetas de uma cômoda. Não é muito em relação ao que vejo por aí... Mas quero reduzir 50% do que tenho para depois, com calma, comprar mais uns 10 ou 20%. Desse jeito, ficarei com uns 70% do que tenho hoje, em termos de número de peças, só que com opções de maior qualidade, versatilidade e - o mais importante - uso!

Um hábito que adquiri há alguns anos é comprar roupas em brechós. Primeiro, em São Lourenço, onde morava e agora pela net. Não fiz muitas compras desse tipo até agora (pela net)... Na verdade, foram compras em três brechós: no primeiro, uma bolsa... no segundo, duas bermudas, um vestido e uma blusa... e no terceiro, um blazer. Adorei tudo e achei que valeu muito a pena! Comprei boas marcas, peças de qualidade, semi-novas e por um preço que ficou entre 20% e 50% do preço da peça nova na loja.

Enfim, depois do desabafo, vamos voltar ao trabalho! ;-)

Ótima semana para todos!

Thursday, January 03, 2013

Vamos discutir a relação?

O ser humano é um bicho estranho... Discute por qualquer bobagem o tempo todo! Discute política, o jogo de futebol, as últimas tendências da moda e até o que o vizinho andou fazendo. Mas na hora de discutir a relação, faz caretas e acha absurdo!

Acho que aprendemos a "pensar o pensamento", mas a reflexão sobre os sentimentos sempre fica de lado, como algo menor. Discutir a relação não é despejar cobranças sobre o outro... É conversar juntos sobre os sonhos de cada um e os sonhos em comum. Os casamentos acabam virando sociedades administrativas de bens e filhos, as pessoas esquecem de sonhar (sozinhas e em dupla) e de perceber que o outro pode ser espelho para um crescimento individual e do casal.

Infelizmente, os casais costumam estar lado a lado olhando pra fora e não frente a frente olhando um pro outro... Por isso que costumo falar da importância de olhar, demoradamente, um para o outro, olhos nos olhos. Porque por fora, pode parecer que ali está a "mesma pessoa de sempre", mas não é... Estamos em constante transformação e olhar dentro do outro é descobrir e redescobrir coisas absolutamente novas. Assim como olhar para dentro de si tb.

Na tradição celta, de onde a bruxaria moderna tirou vários ritos, o casamento não era um compromisso "para sempre" e muito menos algo estático, imutável. Ao contrário, era um compromisso de um ano e um dia que o casal firmava. Ao final deste tempo, juntos, reavaliavam os sentimentos, a vida em comum, e decidiam se renovariam os votos.

Ao renovar votos de união, estamos parando para refletir, trocando ideias, expressando nossos sentimentos e ouvindo o outro não somente com os ouvidos, mas com o coração. Se temos paciência e dedicação para construir uma vida profissional próspera e vitoriosa, por que não fazemos o mesmo em relação à vida afetiva? Tudo que tem valor deve ser bem cuidado e isso demanda tempo e atenção.

Conselhos da Dra Love... ;-)

Sunday, March 11, 2012

Se tudo sempre desse certo, o que eu faria?

Depois de muito tempo sem passar por aqui, hoje bateu a vontade de escrever coisas minhas... É o momento-intimidade... Já que diariamente eu tenho o momento-taróloga, semanalmente eu tenho o momento-saúde e que no Facebook eu tenho o momento-comentário-rápido! ;-)

Se alguém deseja saber se estou bem, sim! Estou bem, fisicamente, emocionalmente, mentalmente e espiritualmente como não estava há anos! Na verdade, este "bem" é relativo ao equilíbrio, à harmonia, à paz. Mas começa a me espantar a sensação do Nada. A ausência total de ansiedade, por vezes, está me confundindo: será isso bom ou ruim? É bom porque mantenho a tranquilidade e a quietude... É ruim porque nada me entusiasma ou me motiva.

É algo para se refletir: esta sensação de que a faxina foi feita, mas a casa permanece vazia. Viver o aqui e agora tem me tirado a perspectiva de olhar para o amanhã. Quando conseguirei encontrar o ponto exato entre aqueles tantos desejos para o futuro, que me deixavam sofrendo crises de ansiedade, e esta paz do Nada, paz do eu vivente no agora que parece não ter querer algum?

Ontem, o sócio me fez uma pergunta que virou minha cabeça, chacoalhou, remexeu e me deixou um tanto chocada. "Se você tivesse certeza de que tudo que você fizesse na vida daria certo, sem chance de fracasso, o que você faria?" Primeiro, um turbilhão atravessou, de orelha a orelha, a minha cabeça... Lá eu via viagens internacionais em aviões que não caíam e com dinheiro que nunca acabava... Lá eu me via como aprendiz em um ateliê de algum artista plástico exêntrico, encantada com a possibilidade de parir a arte à fórceps de dentro de mim... Lá eu me via criando minhas próprias roupas, pois não cortaria nenhum tecido torto e a costura seria sempre perfeita, isso sem falar que eu conseguiria transpor todos os modelos da minha cabeça para o concreto, perfeitamente!

Bem, essa foi a primeira reação... Em seguida, conforme eu me debatia neste mar de possibilidades, comecei a questionar o valor de tudo e sempre achava um jeito de não ver mais tanta graça em cada uma das opções... E as imagens foram desaparecendo como bolhas de sabão que se perdem em si mesmas. Ploc! Ploc! Ploc! Não sobrou nada!

Desde que isso aconteceu já se passaram quase 24h e eu continuo com a mente vazia. A pergunta que não quer calar continua: o que eu realmente quero pra minha vida? Se eu tivesse a certeza de que tudo daria certo, tudo seria um sucesso, o que eu escolheria fazer? "Cri-cri-cri" (o grilinho continua cantando)

Não acho que isso seja normal! E nem vou entrar aqui em um debate sobre a normose e os parâmetros utilizados para o que se considera padrão de comportamento. Mas estou somente me comparando a mim mesma em tempos passados. Aliás, em tempos passados eu não estava bem... Eu estou me comparando a tempos passados-passados-passados, quando tudo me encantava, eu fazia muitos planos para o futuro, minha criatividade explodia e os meus quereres pulsavam. Eu sofria mais? Sim! Cada decepção era um drama épico! Mas, em compensação, eu era feliz de uma forma estrondosa! Será que a sabedoria exclui as "sensações estrondosas" em geral? Talvez...

Então, se vocês me perguntarem novamente se eu estou bem, eu responderei: sim! Claro que estou! :-) Tenho uma família maravilhosa, um filho de dar orgulho, amo um homem que me ama, sou saudável e pareço e me sinto uns 10 anos mais jovem do que diz a certidão de nascimento. Atualmente, trabalho no que gosto e moro em um lugar lindo e tranquilo. Quem não ficaria bem e feliz com uma vida dessas? E eu agradeço todo santo dia, pois acho ingratidão algo muito feio.

Mas continuo pensando na pergunta que o sócio me fez...

Saturday, November 05, 2011

Remember, remember...

Por favor, liguem o som... Deixem a música encantar seus ouvidos e sua alma, enquanto lêem o primoroso discurso feito por V... Bom 5 de Novembro para todos! ;-)




"Boa Noite, Londres. Permitam que eu primeiramente desculpe-me por esta interrupção. Eu, como muitos de vocês, gosto de parar para apreciar os confortos da rotina diária, a segurança, a família, a tranqüilidade. Eu aprecio-os tanto quanto todo mundo. Mas no espírito de comemoração, daqueles eventos importantes do passado associados geralmente com a morte de alguém ou ao fim de algum esforço sangrento terrível, uma celebração de um feriado agradável, eu pensei que nós poderíamos marcar este 5 novembro, um dia que não é recordado, fazendo uso de algum tempo fora de nossas vidas diárias para sentar e ter um bom bate-papo. Há naturalmente aqueles que não querem que eu fale. Eu suspeito que agora mesmo, estão dando ordens aos telefones, e os homens com armas estarão aqui logo. Por que? Porque mesmo que a violência possa ser usada no lugar da conversação, as palavras reterão sempre seu poder. As palavras oferecem os meios ao povo, e para aqueles que escutarão, o anúncio da verdade. E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não há? Crueldade e injustiça, intolerância e depressão. E onde uma vez você teve a liberdade a objetar, pensar, e falar, você tem agora os censores e os sistemas de escutas que exigem seu conformidade e que solicitam sua submissão. Como isto aconteceu? Quem é responsável? Certamente há aqueles mais responsáveis do que outros, e serão repreendidos, mas a verdade seja dita outra vez, se você estiver procurando o culpado, você necessita olhar somente em um espelho. Eu sei porque você o fez. Eu sei que você estava receoso. Quem não estaria? Guerra, terror, doença. O medo começou melhor de você, e em seu pânico você girou para o agora alto-chanceler, Adam Sutler. Prometeu-lhe a ordem, prometeu-lhe a paz, e tudo que exijiu no retorno era seu consentimento silencioso, obediente.

Na última noite eu procurei terminar esse silêncio. Na última noite eu destruí o Old Bailey, para lembrar este país do que ele se esqueceu. Há mais de quatrocentos anos um grande cidadão desejou encaixar para sempre o 5 de novembro em nossa memória. Sua esperança era lembrar o mundo que a justiça e a liberdade são mais do que palavras, são perspectivas. Assim se você não visse nada, se os crimes deste governo permanecessem desconhecidos a você então eu sugeriria a você que passe o 5 de novembro em branco. Mas se você ver o que eu vi, se você sentir como eu me sinto, e se você procurar como eu procuro, então eu peço-lhe para estar ao meu lado em um ano, fora das portas do Parlamento, e juntos, nós daremos a todos um 5 de novembro inesquecível!!!"

Tuesday, December 28, 2010

Tempo, tempo mano velho...

Já era hora de fazer as pazes com o tempo. Até porque, caso houvesse uma briga entre nós, certamente eu sairia perdendo. Esse é um grave problema de incompatibilidade de gênios bastante antigo, diria que é tão antigo quanto minha existência. Eu sempre quero mais e ele me dá menos.

Todo final de ano é a mesma coisa: olho para trás e vejo quanta coisa eu não fiz! Quantos projetos ficaram pelo meio do caminho, idéias que se perderam no ar. No entanto, neste ano tudo parece diferente. Olho para trás e vejo o tanto que foi feito: ampliei o número de consultas de tarot algo em torno de 30% por mês; conquistei um freela mensal para a Editora Astral (além da previsão anual); desenvolvi uma disciplina legal para aplicar Reiki em mim mesma todos os dias antes de dormir, além de praticar atividades como yoga, meditação e Ho'oponopono; treinei minha mente para reduzir a perda de tempo e energia com bobagens (ainda tenho muito a aprender, que fique claro!); descobri coisas impressionantes sobre mim mesma que estavam encobertas e vieram à tona em forma de cura emocional.

Tudo bem... Eu poderia olhar para trás e dizer que passei 10 meses tendo que lutar contra os meus próprios fantasmas, sofrendo dores emocionais e físicas intensas... e seria somente uma outra forma de analisar a mesma situação, o mesmo tempo corrido, a vida da mesma pessoa.

Eu preferi escolher a outra forma de analisar... Aliás, analisar não, sentir! Prefiro olhar para 2010 como um ano de muitas conquistas. E fico muito orgulhosa de mim mesma por perceber que tantas conquistas foram obtidas apesar de toda dificuldade. Meu primeiro pensamento é: "caramba, eu consegui isso estando mal, imagina quando eu estiver bem!!" rs

E esta é a minha decisão para 2011: estar bem. Parece simples, mas somente vivendo é que se percebe o desafio que é estar bem a cada dia, a cada hora, a cada minuto. Não preciso me planejar para mais nada! Porque, como já disse, eu sou muito boa até quando estou ruim :-) E eu quero estar muito boa, quero SER muito boa! Estar integralmente em mim e sentir a felicidade que isso traz.

Há dois anos os transtornos de ansiedade começaram. Esse é exatamente o tempo em que não tenho doença física alguma, desmistificando aquele ditado que diz que quando a cabeça não pensa (bem) o corpo padece...rs Pois então, no domingo fui tomada por uma gripe que, por incrivel que pareça, me veio como bênção. Como se me dissesse: você não precisa ser perfeita, pode até ficar gripada! Senti um alívio tão profundo...

Então, acordei no meio da madrugada com uma dor de cabeça muito forte por causa da gripe. Primeiro, veio aquele sentimento "mas será possível que eu não tenho paz? Agora é isso..." No momento seguinte, consegui interromper toda a falação mental que tentava me atropelar e comecei a fazer Reiki, enquanto respirava profundamente. Em seguida, fiz uma respiração abdominal, com as mãos sobre o Tan Tien (prática Taoísta) e, por fim, tentei acessar a quietude através da Terapia Craniossacral. O processo todo deve ter demorado mais ou menos meia hora e por fim vivenciei uma incrível experiência: eu senti os meus pés.

Se você teve paciência de ler tudo isso até aqui, agora deve estar pensando em desistir, né? "Como assim, a experiência maravilhosa foi sentir os pés???" Pois bem... Lanço um desafio: em que parte do seu corpo você está neste momento? Responda sem pensar!

... ... ... ... ... ... ... ... ...

Cabeça? A maioria das pessoas deve responder isso.

Coração? Uns poucos...

E qual o mistério de sentir os pés? É o fato de eu estar com uma consciência tão plena do meu corpo que eu conseguia "me sentir" nos meus pés! Levando-se em conta que sempre me sinto na cabeça, tive que atravessar um corpo inteiro (tudo bem, ele não é muito grande) para chegar onde cheguei! Longa e árdua caminhada! :-)


Passei longos minutos desfrutando daquela sensação maravilhosa, de me sentir plenamente em cada parte do meu corpo! Esfreguei um pé no outro, como se fosse um carinho, um tipo de "parabéns!" bons pezinhos...rs E já nem me lembrava mais da dor de cabeça. Sim, ela ainda estava ali, mais fraca, mas estava. Mas parecia tão sem importância!

Após esta experiência, acordei diferente. Me sentindo mais viva e mais presente em mim. Ainda gripada, ainda espirrando muito, com a vista meio turva e uma coriza enjoadíssima! Mas feliz, feliz! rs

Na verdade, foi essa experiência que me levou a questionar minha relação com o tempo. Foi ela que me fez perceber que era eu que estava acelerada... O tempo, já dizia o moço careteiro, é relativo. E foi minha agitação interior que fez com que o tempo, nesses dois anos, parecesse desembestado, desesperado, desequilibrado. Igualzinho a mim! Ao perceber isso, consigo notar, por exemplo, que o dia hoje foi suficiente para ir para a escola, voltar, descansar, responder clientes, enviar respostas de jogos, fazer a prova on-line da pós-graduação, ver um filme com o sócio, papear com as amigas no Face, preparar uma salada especial e até mesmo escrever esta postagem! Detalhe: estou calma, tranquila, sem ansiedade, sem frustração. Não foi o tempo ou a minha vida o que mudou, fui eu!

Então, depois de escrever tanta coisa e não me preocupar muito com o sentido ou com a qualidade ou clareza do texto (abaixo a auto-ditadura!rs), só resta agradecer muito o amigo Tempo, por me aceitar de volta em seu compasso harmonioso. Também é bom agradecer a mim mesma por estar encontrando o caminho de volta. E ao ano de 2010, que serviu para me ensinar o quanto é bom viver!

Que venha 2011! E que eu esteja bem, seja boa, inteira e plenamente eu mesma.

PS: Gratidão especial pra Erika, que me despertou para a grande importância de sentir os meus pés! :-)

Monday, September 20, 2010

Eleições: o que se esconde por detrás do nosso voto?


Está chegando aquele momento em que todos fazem questão de treinar o discurso, tanto os políticos quanto os cidadãos de bem de plantão, que adoram nos lembrar de nossos direitos cívicos, patrióticos ou seja lá o que for. Pois é, a tal da eleição!

Outro dia estava me perguntando: será que eu deixei que os anos, a experiência e os cabelos brancos por debaixo do xampu tonalizante me transformassem em uma criatura amarga e sem esperança? Creio, sinceramente, que não. Mas, sem dúvida, me transformaram em uma pessoa menos iludida e ingênua (no mal sentido).

Já acreditei que poderíamos avaliar o nível de democracia de um determinado país pelo direito ao voto direto. Isso, certamente, foi uma conclusão de alguém que viveu a infância e parte da adolescência dentro de uma ditadura militar. Hoje, com os olhos mais abertos e a visão crítica bem mais apurada, percebo que dar direito ao voto sem dar candidatos decentes para se votar vale muito pouco em termos democráticos.

Mas vamos por partes, porque o assunto é longo é polêmico.

A primeira questão a ser levantada é a seguinte: por que somos obrigados a votar? Isso deveria ser um direito e não um dever! Pois eu respondo: porque, se o voto não fosse obrigatório, teríamos um record de abstenções que deixaria bem claro que algo estava errado em relação aos candidatos apresentados. Em países em que o voto não é obrigatório, só costuma votar o eleitor mais consciente e, caso não haja alguma fraude, os políticos eleitos (sejam eles bons ou não) são resultado do direito de escolha do povo.

Agora, acompanhem comigo... Qual seria o resultado desta mistura-braba: voto obrigatório, país com nível educacional/cultural baixo, com falta de orientação política e... políticos sem ética? Na minha opinião, seria o voto só para "cumprir tabela", desvinculado de qualquer consciência cidadã, ou o voto por interesse de barganha (meu voto por uma cesta básica, meu voto por cimento e tijolo).

Vamos um pouco mais além e pensar no seguinte: até que ponto, mesmo nós, criaturas que tiveram acesso à educação, cultura e formação política, não agimos mecanicamente, como bichinhos condicionados? Todos nós repetimos, como papagaios, aquele velho refrão " anular voto é coisa de gente ignorante". Quem disse? Provavelmente, aqueles que têm profundo interesse em receber o nosso voto a qualquer preço!

Tentemos, então, escapar do condicionamento, da programação repetida tantas vezes em nossa cabeça, que faz uma mentira virar verdade. Se precisamos votar em alguém que deve nos representar e, ao olharmos a lista de candidatos, não conseguimos encontrar alguém que seja digno de nos representar... alguém em quem confiamos, que admiramos, com quem compartilhamos ideologias e opiniões, então, o lógico é que tenhamos a opção de não votar. Se não temos esta opção, já que o voto é obrigatório, que anulemos nosso voto, pois esse ato é o que melhor expressa a nossa opinião sobre os candidatos que nos são apresentados.

Com isso - vejam bem! - não estou fazendo aqui a apologia ao voto nulo, mas, com certeza, estou defendendo o direito de não votarmos em pessoa alguma, caso não se apresentem candidatos que mereçam o nosso voto. E que façamos isso de forma consciente e segura, de "cabeça erguida", por saber que esta, sim, é uma atitude ética, com vistas ao bem comum e de seriedade política.

Eu já decidi: vou votar somente em um candidato para Deputado Estadual. É alguém que já foi prefeito de minha cidade e simplesmente foi a melhor gestão que tivemos! É um homem inteligente, honesto, chato de tão correto (por isso que nos damos bem...rs), competente e merece meu voto. Se ele vai ganhar? Não sei... Mas isso não é corrida de cavalos, pra gente querer apostar em quem vai ganhar! De resto, votarei nulo. Assim... Sem peso na consciência!

Cabe mais um adendo: se o Serra eu não quero de jeito algum e a Marina já não me diz tanto quanto já disse antes; em relação à Dilma, digo que o governo Lula pode não ter sido o governo dos meus sonhos (efetivamente, não foi), mas em termos gerais, foi o melhor governo que tivemos no pós ditadura. Só alguém acometido de amnésia (ou banqueiros, ou presidentes norte-americanos, ou...) pode dizer que o governo Fernando Henrique foi melhor... Mas enfim, cada um com seu cada um. Por outro lado, exatamente porque o governo Lula não foi o governo dos meus sonhos, que não vou votar em sua candidata. Estou cansada de, na política (e em outras coisas da vida também) ter que escolher o "menos ruim" ou o mais ou menos.

Já faço a prévia para as eleições municipais de 2012: possivelmente, vou votar nulo de ponta a ponta! Porque mais catastrófico do que o 21 de dezembro, com as previsões de profecias Maias e apocalípticos de plantão, será a lista de candidatos para vereador e prefeito que teremos por aqui, na cidade onde eu moro. Quem viver, verá!

PS: coloquei a imagem de uma urna tradicional em sinal de protesto contra a urna eletrônica, uma das maiores mentiras (dita mil vezes pra virar verdade) da vida política brasileira. Para quem tiver curiosidade, ler: isto e isto.

Saturday, September 11, 2010

Meu mais novo herói!


"Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500... O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram. O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento.

Eu também posso reclamar pagamento e juros. Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.

Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!

Teria sido espoliação? Guarda-me, Tanatzin, de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.

Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.

Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indenização por perdas e danos.

Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva.

Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "Marshall Montezuma", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.

Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?

Não. No aspecto estratégico, dilapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.

No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo.

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.

Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluimos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.

Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.

Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, Guaicaípuro Guatemoc não tinha a menor idéia de que acabara de expor uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira dívida externa.

Fonte:
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1456


Monday, January 11, 2010

Comprometida comigo mesma

Este livro foi recomendado pela querida Ângela, minha terapeuta. Fiquei impressionada pelo fato de praticar o xamanismo tolteca há alguns anos, conhecer este livro de nome, mas nunca tê-lo lido. Pois vem ela e me indica o próprio! Muiiito interessante!

Ela me emprestou o livro e eu, mais que depressa, estou me fazendo o incrível favor de devorá-lo, com o cuidado de fazer anotações preciosas em meu caderninho cor-de-rosa secreto. Nele eu tenho escrito muitas coisas que percebo em mim mesma, lembranças, tristezas, alegrias, estranhas coincidências, associações de idéias, percepções sobre minhas atitudes, reações e sentimentos... Enfim, é dele que eu tiro muito do material que levo para a sessão.

Resumidamente, os 4 compromissos são os seguintes:

Seja impecável com suas palavras - através da palavra torna-se possível a expressão do poder criativo;

Não leve nada para o lado pessoal - se você leva tudo para o pessoal é porque concorda com o que está sendo dito. O que causa seu próprio envenenamento é a importância pessoal, expressão máxima do egocentrismo. Nada do que os outros fazem é motivado por você, é por causa deles mesmos;

Não tire conclusões - temos a tendência a tirar conclusões sobre tudo. Interpretar tudo segundo nossa ótica, nossa mente, nossas crenças. É que acreditamos que elas são verdadeiras. Tiramos conclusões sobre o que os outros estão fazendo e pensando - levamos para o lado pessoal - então os culpamos e reagimos enviando veneno emocional com nossa palavra;

Dê sempre o melhor de si - na verdade, esse é o compromisso de colocar na prática os outros 3 compromissos. Você nasceu com o direito de ser feliz. nasceu com o direito de amar, de aproveitar e compartilhar seu amor. Você está vivo. Portanto, tome sua vida e aproveite.

Bem, dicas preciosas! Se seguirmos todas elas é certo que muitos de nossos problemas (senão todos) serão eliminados. Eu já comecei a colocar em prática!

Thursday, December 03, 2009

PEDE PRA SAIR!!!!!!!!!!

Quando este auspicioso ano de 2009 começou, eu podia jurar que ele seria bem melhor do que os anteriores. Não pensei assim simplesmente por ser uma otimista por natureza, mas existiam fatos reais na minha vida que apontavam para horizontes bem mais luminosos. Eu já estava há um ano trabalhando como concursada na Prefeitura Municipal de São Lourenço, já estava dominando bem o serviço, já conhecia melhor os colegas de trabalho e, principalmente, o candidato em quem eu votei para prefeito havia ganhado!

Particularmente, sou contra a reeleição. Acho que, com raríssimas exceções (na verdade, nunca conheci nenhuma) os políticos que fazem um primeiro mandato bom, relaxam no segundo mandato. Claro! A maior motivação, que é a reeleição, não existe. Mas além desta, havia outra justificativa para eu votar no candidato que fazia oposição ao antigo prefeito. É que eu, do fundo do coração, acreditava que teríamos uma Prefeitura mais organizada, mais justa e que nós, funcionários públicos, seríamos mais valorizados. Bem... Pelo menos durante a campanha o “meu” candidato garantiu isso para todos nós, em diversas reuniões.

(Tudo bem, querido leitor, você deve estar se perguntando como que eu, uma moça estudada, jornalista formada, com 22 anos de experiência profissional, pude cair em conversa de político? Pois é... Pois é...)

Mas o fato é que eu estava sinceramente entusiasmada! Por mais que o cansaço de emendar um ano no outro me consumisse, por mais que eu me questionasse mil vezes o fato de não ter feito magistério ao invés de optar pelo velho “científico” (poderia trabalhar os 200 dias letivos dos professores! Ai, que bênção!), eu iniciei 2009 com a certeza de que tinha feito uma boa escolha na hora de votar! Imaginava que aquela promessa de reposição salarial de 20% + os 9% da inflação, logo em janeiro, não aconteceria exatamente da forma como o candidato apregoou, mas... (glória! Eu sou uma criatura paciente com quem começa um novo trabalho!) esperava que todas as outras mudanças positivas aconteceriam e a reposição de 20% acabaria chegando, mais cedo ou mais tarde.

Fazendo essa retrospectiva, chego a me sentir meio ridícula. Imagino aquelas cenas em que um bebê se delicia, agarrado a um pirulitão colorido e doce, e eis que um trombadinha arranca a guloseima das suas mãos e ele chora, literalmente, como um bebê. Nós funcionários públicos temos chorado feito bebês, enganados, injustiçados e esperando um milagre ou o Chapolim Colorado para nos ajudar.

Pois bem, passado o primeiro susto, tomamos consciência de que a mentira sai da boca dos políticos de forma tão natural, que nem eles percebem. Primeiro ensinamento que deve ser assimilado pelo eleitor. O segundo ensinamento, provavelmente, é: faça um pé de meia e invista numa faculdade de Direito para algum dos seus familiares. Nos dias atuais, um advogado é artigo de primeira necessidade para todo cidadão. Em especial quando a outra parte envolvida é o governo. Mais ainda quando o cidadão é funcionário público. Em São Lourenço então... Nusss! O mercado de trabalho tende a aquecer nos próximos três anos!

Mas... (vocês acham que acabou a história? Nããããão...)

Fomos atropelados por uma sucessão de acontecimentos que nos deixaram tão aturdidos, que agora, prestes a encerrar o ano, nos perguntamos todos: onde eles querem chegar?! Uma colega de trabalho me afirmou que o prefeito já disse que não pretende ser reeleito. Ah, bom... pelo menos ele deve saber que não rola de novo... não mesmo!

Resolvi, então, fazer uma listinha de alguns fatos básicos aos quais fomos expostos desde o começo do ano. Sei que estou falando pelos funcionários da Educação, pois os comentários em nossa rede de comunicação bate, tim-tim-por-tim-tim. Em relação aos funcionários de outros setores, só sei da insatisfação, da falta de organização, da pressão e falta de material, mas não seria capaz de falar dos detalhes sórdidos do dia-a-dia.

1) Até o ano passado, a rede municipal de ensino funcionava com cerca de 9 escolas e mais uma creche, as outras creches eram ligadas à Secretaria de Desenvolvimento Social. Eu fui brindada com uma situação muito estranha: era secretária de uma escola, mas ocupava uma sala em outra escola, a um quarteirão de distância. A secretária dessa escola – um tipo de “filial” – ficava na “matriz”, a uma distância de aproximadamente 1,5 km. Então, eu fazia todo o serviço da “minha” secretaria e mais boa parte do serviço da outra secretaria, tudo que não necessitasse do carimbo e da assinatura da outra secretária. Sempre achei isso um absurdo e aguardava ansiosamente a mudança de governo para que algo fosse feito. E foi!!!!! A confusão aumentou! Agora, existem várias escolas que funcionam com alunos matriculados em um lugar, freqüentando salas em outra unidade, secretários acumulando algumas turmas de outra escola e creches passando a responsabilidade da Secretaria de Educação... Cerca de seis das nove escolas e da creches, agora incorporadas, estão amarradas em um emaranhado administrativo de fazer qualquer criatura minimamente organizada surtar!

2) Se até ano passado eu acreditava que poderia haver mais organização na Educação, com as solicitações sendo feitas com mais antecedência às secretarias escolares e reuniões regulares acontecendo para esclarecer dúvidas e implantar novas metodologias organizacionais (olha que chic eu sou...), este ano, tudo que eu queria era só precisar fazer cada coisa uma só vez. Assim... Não precisar fazer seis listas de material pedagógico e de limpeza no decorrer do ano, sendo que nenhuma das seis listas foi atendida plenamente... tudo que eu queria era não precisar implorar por uma caixa de borracha ou pacotes de papel sulfite, como se fossem artigos de luxo, enquanto chegam dicionários de inglês para uma escola de ensino infantil (????!!!!!), canetas para quadro branco (onde não há quadro branco) e um número de pistolas de cola quente que daria para refilmarmos algum clássico de bang-bang. Tudo que eu queria era que recebêssemos informações precisas sobre o que vai acontecer na escola, para podermos orientar os pais quando eles nos procuram, ao invés de ter que respirar fundo e “calçar a cara” dizendo que não temos a menor idéia de como, onde e com quem eles poderão fazer uma matrícula, cujo início será daí a 10 dias. Ah, sim... Eu também gostaria de poder saber onde vou trabalhar no ano que vem, antes que o ano acabe, pois convivo com a sensação de que, qualquer dia, chego na escola e tem outro sentado no meu lugar.

3) Tenho certeza de que a maioria dos brasileiros convive com um certo nível de desorganização. Não somos ingleses... Chegamos sempre meio atrasados... Deixamos as coisas sempre um pouco fora de lugar... Mas também, por outro lado, somos flexíveis... Não temos uma natureza autoritária, ríspida, desumana... Por analogia, creio que a nova Administração é formada por híbridos de brasileiros (muito desorganizados) com alemães (pré II Guerra Mundial). Só tem algo mais desagradável do que chefias autoritárias... São chefias autoritárias e totalmente desorganizadas! Não entendo porque as pessoas confundem organização com burocracia... Excesso de papelada (relatórios e planilhas) nunca garantiu organização de nada! Mas gasta um bocado de tempo, papel e tinta de impressora, coisa que para um governo que conta moedas e até mudou a marca do café e regula o papel higiêncio para economizar, deveria fazer diferença!

4) Desde o começo do ano, vivemos em constante ameaça, sendo que algumas delas se concretizaram. Começou com a ameaça de passar de celetista para estatutário (perdendo TODOS OS DIREITOS GARANTIDOS PELA CONSTITUIÇÃO), com isso perderíamos o tíquete refeição – que apesar de miserável, ainda é alguma coisa -, perderíamos o fundo de garantia, perderíamos a certeza de receber uma aposentadoria (se a prefeitura não tem dinheiro para pagar coisas mais básicas, que garantia teremos que o fundo de aposentadoria administrado pela prefeitura estará lá?), e não conseguiríamos receber o vale-transporte, ao qual já temos direito legal, mas nunca recebemos. Ser estatuário é se entregar de corpo e alma ao Prefeito que estiver lá. E, como sabemos que o povo não tem cabeça boa na hora de votar (sou uma prova viva disso!), sabe-se lá que tipo de criatura vai ter o poder sobre o nosso corpo e a nossa alma.

5) Outra ameaça (que, temporariamente, virou realidade) foi a de tirar o nosso adicional de escolaridade. A justificativa é que só os efetivos é que tem direito e não quem está em estágio probatório. Só tem um detalhe: diz a lei que “o funcionário em efetivo exercício do cargo” passará a ESTÁVEL após três anos de estágio probatório. Ou seja, para virar estável, tem que ser efetivo. Então... Pois é... Já somos efetivos desde o momento da nossa nomeação. Mas, seguindo o padrão da atual Administração, vamos valorizar a classe dos advogados!!!!! Só tem conversa via DOUTOR!

6) Não satisfeito em torturar os concursados, nosso poderoso chefão resolveu exercer a sua valentia arrancando todos os (poucos) direitos dos contratados. Agora, ao invés de trabalharem com contrato de um ano, renovável; ao invés de trabalharem 6horas/dia e ao invés de serem celetistas, os pobres trabalharam com contrato semestral, 8h/dia e como estatutários... Mas peralá! E aquela lei federal que diz que não pode ter dualidade de regime? Ah, sim... Ela só serve no discurso para deixarmos de ser celetistas... E aquele negócio chamado isonomia???? Ah??? O que???? “Sei o que é isso não, moço!”

7) Quando pensávamos que nada poderia piorar, nova surpresa: para 2010, o prefeito pretende colocar todos os funcionários trabalhando 8h/dia. – Mas a maioria dos funcionários tem outra atividade profissional, para juntar as moedinhas no final do mês e pagar as contas! – Ah... problema dos funcionários, claro! Pensa que agora acabou? Nããããão... Parece que ele também não acha justo pagar qüinqüênio (ué... pensei que o que diferenciava o servidor público do privado eram esses benefícios, levando-se em conta que não temos como negociar salário, não temos aumento por produtividade e nem repartimos lucros)

8) Para finalizar (eu acho! Nunca se sabe quando eles inventam algo novo), parece que o objetivo é mudar totalmente o Plano de Carreira, que já não é exatamente uma “Brastemp”, arrancando os nossos direitos e nos prejudicando de todas as formas imagináveis. Ou seja, pretendem rasgar na nossa cara o nosso contrato de trabalho, mudar as regras do jogo durante o andamento do jogo, como uma criança birrenta que não admite perder uma disputa.

Creio que o resumo mais perfeito que ouvi sobre tudo que estamos passando desde o começo do ano, veio de uma professora aqui da escola: “o prefeito parece o Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite... Ele ta fazendo tudo isso e daqui a pouco vai gritar no nosso ouvido PEDE PRA SAIR!!!! PEDE PRA SAIR!!!!”

Se eu pudesse, juro que saía... Nem precisava gritar outra vez.

Wednesday, October 28, 2009

As palavras não valem tanto...


As palavras não valem tanto.
Mais valor possuem os lábios que as permitem
Nascer neste mundo de sons que partilhamos,
Ou o coração que forja a matriz enigmática
do sentido de cada sílaba.

As palavras não valem tanto!
São meras letras - unidas ou separadas -
que descrevem o que chamamos de realidade.

No entanto, se tão diversas são as existências
e os olhos atentos que as observam,
fica a pergunta no ar: o que seria real
e existencialmente concreto
E o que seria fantasioso e, portanto, sem sentido
para toda a Humanidade?

Não podem ser unânimes os sentidos das palavras
porque não enxergam a mesma coisa todos os olhos
E nem batem no mesmo ritmo todos os corações.

E se ainda assim víssemos e sentíssemos a mesma coisa,
ainda assim haveria a bagagem trazida às costas
e marcada em todos os corpos - físico, emocional, mental -
de cada ser.

Daí surgem os desgostos e as paixões por certas palavras. Conheci um rapaz, certa vez, que adorava "cretina" e sempre que queria xingar alguém, em especial alguém do sexo feminino, enchia a boca e exclamava com gosto: "cretina!" Um grande amigo tinha tamanha implicância com o "vice-versa" que eu era capaz de encaixar o termo em diversas frases, quando lhe escrevia mensagens, só por provocação...rs

Já meu ex-marido não tolerava (acho que continua sem tolerar) a palavra "festa". Certa vez, eu quis fazer uma para ele, em comemoração ao aniversário, e só consegui fazê-la sem ouvir seus protestos e reclamações quando a transformei em "reunião".

Onde eu trabalho ninguém pode "assentar" uma idéia, que corre o risco de linchamento e eu, particularmente, não suporto quando alguém "incrementa" alguma coisa, sempre me passa uma constrangedora sensação de nojo, impossível de disfarçar.

Há anos que percebo o valor excessivo que damos às palavras - para mal e para bem - e que muitas vezes nos impede de ouvir o outro com o coração. Eu mesma, quando adolescente, "desligava o ouvido" quando minha mãe mencionava as palavras: "só sai de casa se..." Eu simplesmente não ouvia mais nada, pois já entendia que seria submetida a uma exigência, teria que fazer algo desagradável (como arrumar o quarto ou lavar a louça...rs) Já o meu marido, apesar de ter provas mais que suficientes do meu amor, não pode ouvir o nome de um ex-namorado meu, que automaticamente fica com ouvidos, olhos e coração blindados e não faz a menor questão de compreender o que eu digo.

Na verdade, ousaria dizer que passamos 90% do tempo ouvindo só o que queremos ou interpretando o que os outros dizem de acordo com nossas crenças e nossas "bagagens". Não ouvimos o que o outro realmente quer dizer, apenas estamos interessados em encaixar palavras, imagens e situações ao que julgamos ser real, verdadeiro e correto, ou seja, a nossa própria visão de mundo.

Mesmo as pessoas que, como eu, por profissão ou gosto, já questionaram o valor das palavras, acabam se apegando a outras referências de comunicação e reagem, cada um a seu modo, a elas. Quando alguém eleva o tom de voz para mim, por exemplo, tenho profunda dificuldade de escutá-la, passo a me preocupar mais em me defender do suposto ataque do que compreender sua razão de agir de tal forma. E tenho certeza que cada um tem lá os seus bloqueios, conheço até uma pessoa que reage de forma oposta: detesta que falem muito baixo com ela! Vai entender..rs

Mas como eu ia dizendo... As palavras nem valem tanto assim! Nem mesmo quando servem para comprovar seu pouco valor. Portanto, leiam estas palavras com o coração e abram os ouvidos de forma generosa, em especial para as pessoas que vocês amam. Então, quem sabe?, poderão percebem que para haver a compreensão, nem uma palavra precisa ser dita.


*** Em homenagem a minha amiga Dani, que apesar de gostar de teatro, detesta a palavra "fingir"! :-)

Friday, August 21, 2009

A falta que faz um pouco de ordem


Quando eu for deusa no meu sistema planetário, já decidi fazer algumas coisas... O ponto central das minhas decisões será a organização. Por exemplo: chuva! Chuva é uma coisa necessária... Ninguém questiona isso! Mas deveria haver um horário marcado para a chuva acontecer. Eu colocaria entre 2 e 5 horas da madrugada!

Outra coisa: o livre arbítrio deveria ser benefício e não castigo. Explico... Quando uma pessoa tem certeza do que ela quer, ela tem livre arbítrio. Quando ela está se torturando em dúvidas, alguém - e este alguém seria EU, a deusa! rs - decide por ela. Simples assim. Sem dor.

Outra coisa muito importante, talvez tão importante quanto chover ou tomar decisões. Neste meu sistema planetário, os homens teriam uma incrível capacidade, um poder quase paranormal, algo que eles nem sonham em ter nesta vida! E quando falo de homens, estou querendo dizer "homens do sexo masculino". Esse poder seria o de encontrar as coisas. Nesse maravilhoso mundo de sonho, nós falaríamos "querido, por favor, pegue minha escova na gaveta da cômoda, do lado direito!" E ele chegaria lá, procuraria na gaveta da cômoda, do lado direito e encontraria a escova!!! Isso não parece um poder quase sobrenatural?

Ah, mais uma coisa... Sob o meu reinado vitalício (e, portanto, eterno), todas as pessoas teriam a capacidade de compreender monossílabos que hoje são verdadeiros enigmas. As pessoas, toda vez que vão falar algo duvidoso, não recomendado ou que nem mesmo elas sabem porque fazem aquilo (e bons exemplos são cantada de homem na rua e justificativa de filho pra não fazer o que mandamos ele fazer), deixam sair da boca sons mais ou menos assim: "hmmmm"; "errrr", "ãh?", "heim"... para tentar explicar o inexplicável. Gostaria muito de saber o que essas pessoas querem dizer com esses sons. No meu mundo esse enigma terá solução.

Acho que vou começar a pensar em uma campanha, convidar companheiros de chapa e quem sabe eu chego lá? "Cláudia para deusa no próximo sistema planetário que for criado!" Ou será que eu mesma terei que criar o meu??? Hmmm, errr, ãh????

Thursday, January 22, 2009

A felicidade costuma incomodar... A liberdade também.


Há muitos anos costumo dizer que tem coisas que só acontecem comigo e com o Botafogo*. Já passei por situações que deixariam qualquer pessoa em estado de choque, tanto por parecerem inacreditáveis quanto pela reação emocional que poderiam causar. Um bom exemplo foi o dia em que uma "colega" de trabalho, incomodada pelo meu constante bom humor, me questionou de forma exageradamente franca e direta, em um tom irritado: "nossa! Mas você está sempre feliz! O que de tão bom acontece na sua vida pra você estar sempre assim?"

Esta não foi a primeira vez que incomodei as pessoas com o meu alto astral. Quando surgem perguntas desse tipo, costumo responder que o fato de estar viva e cheia de saúde já bastaria para me deixar feliz, mas eu ainda tenho a sorte de ter um filho inteligente e lindo, uma família admirável, poucas e boas amigas e um marido maravilhoso. Quem não se considerar feliz diante disso não tem a menor idéia do que seja felicidade.

Acontece que mais incômodo do que se sentir feliz e expressar isso, é começar a explicar as razões de tanta felicidade e, pior ainda, começar a mostrar para a pessoa que ela também poderia estar feliz levando-se em conta diversas situações boas da sua vida. Isso é praticamente uma heresia! As pessoas gostam de sofrer. Elas, de fato, não querem ser felizes e muito menos demonstrarem isso para os outros.

Parece loucura? Vou dar alguns exemplos... Experimentem chegar para uma pessoa que tem um bom emprego e um salário acima da média dizendo: "nossa, fulano, mas que beleza! Você está bem de vida, heim?" O mais provável é que ele dê um pulo para trás, arregale os olhos e se defenda: "eu??? Você está louca? Você não tem idéia do quanto eu trabalho. Ralo pra caramba! E o meu salário nem é essas coisas... não dá pra nada! Estou cheio de dívidas!" Ou seja, ele vai afirmar que é um pobre coitado com tal autenticidade, que você quase terá um impulso de fazer uma campanha de donativos para ajudá-lo a pagar suas contas.

Agora chega para aquela sua conhecida que tem um marido bonitão, educado e gentil e diga algo como: "nossa, fulana, você tirou sorte grande, heim? Seu marido além de bonitão, te trata tão bem..." Pois sim! Isso será por demais ofensivo! Ela, na mesma hora, vai dizer: "ah! Você está dizendo isso porque não vive com ele! Menina, é um inferno casar com homem bonito... A mulherada fica toda em cima... Isso sem dizer que ele me trata muito bem, mas continua naquele empreguinho fajuto, ao invés de procurar algo melhor..."

Enfim... Se você quer ofender uma pessoa, diga que ela é feliz! E se você quer fazê-la morrer de raiva, diga que é feliz! A felicidade parece ser um pecado imperdoável! E onde quer que você vá, as pessoas que parecem felizes são olhadas como esquisitas, "metidas" ou alienadas, que insistem em olhar o mundo com lentes cor de rosa. Como diria a música "A felicidade é um estado imaginário!"

Eu sempre pensei que ser feliz é uma decisão, individual e intransferível. E que independe do que acontece em volta. Para ser feliz não é preciso viver uma vida perfeita, não é preciso ser perfeito. Eu, por exemplo, adoraria ter o nariz pequeno e arrebitado e uns 50% de aumento no salário, mas nem por isso deixo de ser feliz! :-)

Percebo a cada dia um número maior de pessoas que buscam a felicidade fora e não dentro de si. Sei que isso é clichê, mas a felicidade está mesmo dentro e não em volta. No entanto, em um mundo tão materialista e consumista fica complicado explicar que a felicidade não está associada à quantidade de coisas que você possui ou ao status que você tem. Por isso que parece tão estranho ser feliz sem uma mansão, carros importados, emprego top de linha, cirurgias plásticas pelo corpo e todas as coisas que são símbolos de sucesso.

Então entra a outra coisa que irrita e incomoda tanto quanto a felicidade: a liberdade. E nem falo da liberdade total dos xamãs ou mesmo de uma liberdade bem ampla, falo da simples liberdade de saber a hora de parar, a liberdade de ser o que se é sem que a opinião alheia seja tão importante, a liberdade de ter seu próprio gosto e sua própria maneira de viver a vida. Liberdade mesmo de argumentar com a sua "mente do predador" que ela pode continuar repetindo tudo que quiser na sua cabeça, que você não vai desistir dos seus sonhos.

Então, você poderá ver o espanto e desespero nos olhos dos outros quando você nega a oportunidade de estar numa festa de elite, quando respira aliviada porque não foi chamada para um cargo importante (porém, extremamente stressante) ou não compra aquela roupa maravilhosa, apesar de ter o dinheiro na carteira para comprar. É que tudo é sempre tão relativo, tudo é tão transitório... nas mãos de quem está o poder, o que você realmente valoriza, o que é realmente necessário. Nós mesmos somos transitórios! Não sabemos onde vamos estar daqui a um minuto.

Ao invés de sentir medo, insegurança ou ficar se agarrando em coisas que estão fora de nós, talvez o melhor a fazer seja mesmo sorrir a maior parte do tempo, brincar como criança, não se levar tanto a sério, fazer o que pede o coração e não contar com o futuro para sere feliz. Ser feliz agora... ser livre agora... Ser você mesmo agora... Pode não ser tão fácil, mas é muito simples.

*Para as amigas portuguesas, explico: Botafogo é o time de futebol pelo qual torço e que é conhecido pela sua "mística", pelo inusitado que sempre ronda seus jogos e sua história.

Saturday, January 03, 2009

Assim começou meu ano...


Com pequeninas delicadezas, sinais sutis, sonhos enigmáticos...

Alguma coisa está acontecendo em todo o planeta. Basta nos conectarmos que entenderemos. O problema é que andamos tão adormecidos e preocupados com as coisas que nos ensinaram que eram as mais importantes, que perdemos a noção de que tudo é ilusão.

Criamos deuses a partir de necessidades ou desejos que nos ensinaram a cultivar. Temos o deus-dinheiro, o deus-emprego, o deus-carreira-profissional, o deus-realização-pessoal, o deus-conhecimento-acadêmico e tantos outros (o deus-corpo-de-modelo, por exemplo)

Pois eu comecei o ano imaginando como tudo é tão efêmero e como devemos aproveitar cada minuto do nosso dia, da nossa vida, com coisas que realmente valem a pena.

Esta joaninha linda que foi eternizada na foto, quando pousou na minha mão, segundos depois levantou vôo e foi em direção a sua morte-luz, na lâmpada do teto. Bateu lá e caiu no chão, morta. Qualquer pessoa pensaria que é o fim ficar chocada pela morte de uma joaninha. No entanto, segundos antes ela estava aqui na minha mão, compartilhando energia comigo, compartilhando algo, um momento... No segundo seguinte ela já não existia mais na minha realidade de existência e provavelmente estava adentrando o "mundo das joaninhas" (assim eu contava para o meu filho, quando ele era bem pequetito, que quando os bichinhos morriam iam para o "seu mundo"... mundo dos gatinhos... mundo das borboletas...etc...)

Então, não quero ser como uma joaninha que se lança em disparada em direção aonde se vê a luz ou se entende como luz, para depois cair fulminada. Tenho dado passos curtos. Tenho pisado suavemente, testando a segurança do solo.

Algo está para acontecer e é bem mais do que a queda da bolsa de valores ou o fechamento de um grande banco. No entanto, só será possível perceber o que é se estivermos em silêncio, com a mente quieta. Se conseguirmos manter a calma, afugentar o medo e respirar. O segredo é sempre respirar.

Sei que mais informação virá. Sei que mais coisas acontecerão para mim, para você, para os nossos vizinhos. E sei que algumas pessoas lêem o que está escrito aqui e não entendem nada, enquanto outras conseguem sentir a suave brisa da mudança que vem se anunciando já há algum tempo.

Aguardemos.

E enquanto isso, vivamos. Cada precioso segundo.

Feliz 2009.

Tuesday, December 23, 2008

Feliz Solstício de Verão! (com algum atraso...rs)

JustificarQueridas e queridos amigos que sempre passeiam por aqui, final de ano é aquela correria mesmo, não tem jeito! Então, fiz minhas comemorações particulares por aqui, mas não deu tempo de postar algum texto falando sobre mais este festival em que comemoramos o ápice do verão, o dia mais longo do ano.

A partir de agora nossos dias vão, aos pouquinhos, diminuindo e dando espaço para a noite. Compreender os ciclos e suas mudanças faz parte de uma sabedoria antiga, esquecida pela maior parte das pessoas, ainda mais em tempos de modernidade, consumismo inconsciente e alienação absoluta.

Prometi a mim mesma, já há algum tempo, que não vou ficar criticando e resmungando como uma velhinha rabugenta...rs Até porque de nada adianta! Na verdade, acredito que é justamente uma postura oposta a essa, com muito riso, muita alegria e leveza que será capaz de nos arrancar do mundo fast-food e ilusório que se criou em volta de nós.

Maya... Tudo é maya...Cada vez mais sinto isso. E para que não sejamos arrebatados pela ilusão e pela manipulação de massa o melhor caminho é largar de lado o racionalismo frio e optarmos pela lucidez sensível. Posso garantir que não é através da lógica pura que vamos compreender este mundo totalmente ilógico em que vivemos. É preciso sentir, abrir a percepção, refinar a visão. Deixemos os conceitos estabelecidos para aqueles que se estabeleceram neste mundo caótico. Nós, os rebeldes que sonham outra realidade, não precisamos seguir o líder, somos nossos próprios líderes e descobrimos nossos próprios caminhos muito mais harmonizados com a Natureza. Aliás, alguém já se perguntou a razão de existir um esforço tão grande em destruir Natureza? Ela é o que restou para nos sinalizar o caminho...

Para quem lê essas palavras e não sabe do que estou falando, fica uma dica: talvez o que você chama de realidade não seja exatamente o que parece... Para aqueles que, lendo minhas palavras, sentiram que algo vibrou, mexeu, conectou, mesmo sem que isso parecesse lógico, mesmo que racionalmente não houvesse sentido, também deixo uma dica: feche os olhos e abra a percepção. E para aqueles que ao fim dessas linhas sabem do que estou falando e esboçam um sorriso discreto, deixo o desejo mais sincero de que nos encontremos um dia e possamos trocar nossas experiências sobre o novo mundo que está, ainda, em gestação.

Sunday, December 07, 2008

Você sabe com quem está falando???

Houve um tempo em que esta frase era associada diretamente à arrogância dos funcionários de alto escalão, autoridades (otôridades...rs) que utilizavam de seu posto para ter benefícios em setores que nada tinham a ver com seu trabalho. Atualmente, depois de tantos anos trabalhando com o tarot e analisando a alma humana, tenho visto que a frase também se adapta perfeitamente bem ao problema que chamo de: identificação equivocada de personagens.

Pois bem, este tipo de síndrome é muito comum em todos os setores, mas aparece mais frequentemente na relação entre casais. As projeções de antigas relações surgem e pulam como pererecas enlouquecidas de um lado para o outro. Se as pessoas envolvidas não tomarem a devida precaução, em fração de segundos estarão batendo boca por nada e o pior: será uma discussão a três, envolvendo eu, eu mesma e Irene (rs) ou eu, o atual e um ex.

Quando faço a pergunta "você sabe com quem está falando", longe de ser uma ameaça, uma referência ao poder que tenho e que posso utilizar a qualquer momento, é simplesmente uma pergunta direta e objetiva. Ou seja, será que você sabe mesmo com quem está falando? Não estará me confundindo com outra pessoa? Alguém que não sou, nunca fui e nem ao menos tenho um dos meus vários eus associados a este personagem?

Estes momentos de curto circuito interno são comuns em toda relação e lembram muito a piadinha do mineiro - oncotô, oncovô...rs - porque a verdade é que a sensação é de estar fora do aqui e agora. A pessoa, normalmente, está em outro lugar, emocionalmente falando... em outra relação e com outras pessoas... E isso, normalmente, vem acompanhado de um tagarelante diálogo interno, uma falação interior de dar inveja a salão de cabelereiro em sábado de casamento.

A melhor dica nestes casos é sempre o bom-senso. Quem, naquele momento, o tiver em maior quantidade que o utilize! Alimentar este tipo de neura é apenas garantir uma discussão longa e com desgastes energéticos de primeira linha.

Como medida preventiva, é interessante observar quais frases são sempre utilizadas em horas de crise, normalmente, elas são ditas com o passar dos anos, de forma não lúcida, e para diferentes pessoas. Algumas bem comuns: "eu não estou a sua disposição!"; "eu não sou seu escravo!"; "você é egoísta, só pensa em suas próprias necessidades!", "você não manda em mim!"

Então, fica a pergunta: será que escolhemos sempre o mesmo tipo de parceiros, que sempre agem da mesma maneira e nos contrariam sempre nos mesmos pontos? Só isso já dá o que pensar... Por que nos torturamos sempre do mesmo jeito, com diferentes pessoas que insistem em nos tratar de determinada forma?

A outra opção é um pouco mais complexa: será que tal característica que atribuímos a alguém não era de outro alguém do passado? Ou ainda, será que esta não é uma característica nossa? Já notei que algumas pessoas, atormentadas pelo medo de serem tratadas de determinada maneira, correm na frente e agem exatamente daquele jeito com os outros. Exemplo: homens que possuem um medo tão incontrolável de serem traídos que mal começam um relacionamento e já traem a namorada, "antes que elas os traiam!" Assim como outros que, com profundo temor de serem controlados, insistem em manter uma relação de domínio sobre o cônjuge, são ou tentam ser tiranos em seu próprio lar.

Se conseguirmos olhar para tudo isso de uma forma leve e descomplicada, sem nos levar a sério demais, sem colocar nosso ego e nosso orgulho nas alturas, há sempre a possibilidade de dar algumas risadas no final de um mal entendido como esses. E se conseguirmos, ainda poderemos perguntar: "você saber com quem está falando?" ;-)

Friday, October 10, 2008

Vamos assumir a chatice publicamente - Parte I (porque muitas ainda virão!)

De vez em quando acontece assim: a conversa começa na escola, me acompanha no caminho de casa e continua no decorrer do dia. E agora mesmo conversava com meu amigo e coleguinha jornalista Plínio (um queridão!) sobre nossas rabugentices de esti- mação. Eu tentando disfarçar as minhas, ele assumindo as dele, como opção de vida...rs

Daí vieram outros papos e a crítica que tenho feito nos últimos tempos em relação ao comportamento das pessoas. Minha mãe costuma dizer que em "tempos idos" todos eram mais educados, refinados, havia uma sofisticação natural muito mais baseada na gentileza do que em estudo. Meu avô costumava valorizar quem tinha "berço", muito mais do que quem tinha dinheiro. E acho que herdei isso do velho e sábio seu Antônio.

Eu sei que sou mais chata do que a média, mas percebo que a situação está tão relaxada que até as outras pessoas começam a perceber. Lá no trabalho, freqüentemente, lembram de uma moça, que trabalha em outra escola, cuja postura não combina nem um pouco com um pátio cheio de crianças inocentes brincando. O que questiono sempre não é o que a mulher faz, concretamente, não estou aqui querendo julgar a vida sexual alheia. Cada um sabe de si! E o que faz entre quatro paredes. Mas não precisa dar amostra grátis para o público em geral...

A verdade é que muitos homens e mulheres se comportam como se tivessem fazendo um marketing pessoal do seu desempenho sexual. Um aperitivo de caras e bocas, um kit-press de noites calientes. Pra quê isso, gente?! A chatonilda aqui só consegue pensar que tudo isso é muita insegurança e necessidade de fazer propaganda enganosa.

Tudo bem... alguém pode dizer que estou ficando velha e que só gosto de reclamar ou estou ficando moralista. Mas se sou chata (e sei que sou!) isso é problema antigo, pois me lembro bem quando aquela moçoila que surgia rebolativa na TV, a cada Carnaval com menos roupa, apareceu pela primeira vez com o corpo coberto somente por tinta. Eu era bem novinha... e meu comentário foi: bem, daqui a pouco o povo vai ter que virar a mulher do avesso, porque não tem mais o que mostrar pelo lado de fora...rs

Olha, longe de mim querer podar a libido da galera. Ao contrário! Adoro uma safadeza bem feita, de preferência com quem a gente ama...rs Mas é bom que cada coisa tenha o seu lugar. Ninguém se comporta na intimidade com a formalidade utilizada numa reunião de negócios... Então, seria interessante não levar a postura que se tem na intimidade para a reunião de negócios também. Não é questão de moral, é questão de bom senso. Isso sem falar da estética... Ah! A estética!!! Eu com minha dupla regência de vênus (no ascendente em libra e na lua em touro) valorizo por demais a estética das coisas, pessoas, posturas, situações... E na minha opinião existe na estética da sedução muito mais uma mistura sutil de inocência e malícia, uma promessa de desejo a se realizar, do que a vulgaridade estalada na cara como anda sendo propagada por aí.

Para horrorizar mais um pouquinho os liberais, vamos lá, dar alguns exemplos: mulherada dançando funk naqueles bailes pancadões, pra mim, é são sensual quanto um exame ginecológico de grávida em postinho de saúde do subúrbio (não tem nem o ambiente bonito pra colaborar). Fio dental é uma criação tão fracassada que quando se trata daquele que a gente passa nos dentes, a gente se esconde no banheiro pra usar (ou ao menos deveria) e quando é aquele que deveria parecer um biquine, em 95% das vezes, a gente tem vontade de se esconder também... para não ver tamanha aberração! Porque - vamos combinar? - com exceção de algumas anoréxicas e outras fisiculturistas, não há bundinha neste planeta que fique bonita em um negócio daqueles...

Outra coisa... Essa moda de calça baixa, com a barriga de fora. Um show de sensualidade é quando o corpo está elegante, a blusa é discreta e surge, sutilmente, a imagem parcial de uma barriguinha, uma frestinha de barriga! Isso é bem diferente de uma criatura uns 10 quilos acima do peso ideal, uma calça que mais parece uma segunda pele de tão apertada, um top que deveria ser utilizado para ir à ginástica ou à piscina e um tamanco de salto plataforma... Se as unhas estiverem pintadas de vermelho, a beirada da calcinha ou a alça do sutien estiverem aparecendo e o bumbum for do tipo exuberante então... Nossa! Mas será que sou só eu que acho isso horrível? E eu estou falando somente da parte estética, heim? Não entrei ainda no detalhe do comportamento propriamente dito! Porque aí a coisa piora bastante!

Enfim... Sinto saudade de um tempo que eu nem vivi, como dizia o Renato Russo, porque eu acho que a mulher era muito mais sensual, linda, sedutora lá pelos anos 30, 40, 50. Eu já nasci em uma geração em que a gente não aprendia a ser mulher "de verdade". Já estava uma tremenda confusão: misturaram direitos iguais com ser tudo igual... misturaram a mulher ter mais liberdade com a mulher fazer tudo de pior que o homem fazia... o resultado não foi nada bom! As pessoas fingem que não perceberam isso... Mas basta olhar em volta e olhar para a relação entre homens e mulheres para ver que não houve muita evolução. Em alguns casos houve involução!

Mas chega de reclamar! Nem eu me aguento mais... Pelo menos por hoje... ;-)

Thursday, October 09, 2008

Já dizia Raul Seixas...

Este negócio de marido viajando é uma tristeza... A gente faz coisas que até Deus duvida, como assistir novelão da Globo. Então, estava eu lá, fazendo meus artesanatos e aguentando a sucessão de besteiras. A única coisa legal é quando aparece o Augusto César e seu sítio paz e amor, o coroa charmosão Zé Mayer tá ótimo. O resto é uma dobradinha constante de gente muito muito ruim e gente muito muito otária.

Daí eu me pergunto: por que os bons sempre aparecem como bobos e otários? Será que é isso que andam transmitindo pra nós, nas entrelinhas da cultura ocidental? Sim, porque existe uma distância enorme entre alguém ser bom, ético, correto, honesto e ser bobão, idiota, lesado... Mas nos dias de hoje esses conceitos parecem se misturar.

Bem, daí no capítulo de ontem fiquei analisando a incompetência dos bonzinhos. Cheguei a conclusão que os bonzinhos erram mais feio mesmo é na hora em que resolvem ser maus... A razão é simples: pura falta de experiência!

Por exemplo, se a gente não levar em conta que o autor da novela tem que enrolar o público durante mais tempo, anteontem a Flora já teria ido pra trás das grades! Era só a Donatella entregar o DVD para o Zé Bob (nem precisava ir até a polícia!) e pronto! Mas não... foi querer dar uma de malvada... humilhar a Flora na frente da família toda... fazer showzinho de vingança particular... quebrou a cara!!!! rs Tá vendo o que faz a falta de experiência e talento pra coisa? A Flora sossegou o facho na cadeia durante não sei quantos anos a espera da vingança. No entanto, a bobalhona boazinha não consegue esperar umas poucas horas ou dias para se vingar. Ô amadorismo!!!!!!!

Como diz a minha amiga Daniela, essa novela faz um mal danado! rs

Mas aí eu pensei que o que anda acontecendo hoje em dia é que perdemos mesmo a noção de certo e errado das coisas. Não, eu não sou do tipo radical... xiita... que quer mandar todo mundo que faz besteiras para o inferno. Pra ser sincera, nem acredito nele tal como falam por aí. Mas - vamos combinar? - o povo anda passando dos limites! É um tal de jogar criança pela janela, estuprar, torturar, matar sem razão alguma (e existe alguma razão que justifique?) Isso sem falar nos crimes de "colarinho branco".

Creio que daqui pra frente a coisa deve ferver ainda mais. E ao invés de equilibrarmos dentro de nós a luz e a sombra, com muita sabedoria, parece que está um caos generalizado. Eu gostaria muito que o ser humano tomasse jeito antes que a Mãe Natureza "dê um jeito em nós!"

Enfim... Quem viver, verá! Se a fumaça permitir...rs

Isso tudo me lembra minha bruxa mestra Dóris e sua música preferida do Raulzito:

Trem das 7

Oi, ói o trem
Vem surgindo detrás das montanhas azuis, olhe o trem
Ói, já evem
Vem trazendo de longe as cinzas do velho Aeon
Ói, já evem
Fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, ói o trem
Não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem
Quem vai chorar?
Quem vai sorrir?
Quem vai ficar?
Quem vai partir?
Pois o trem está chegando
Tá chegando na estação
É o trem das 7 horas
É o último do sertão
Ói, ói o céu
Já não é o mesmo céu que você conheceu,
não é mais...
Vê, ói que céu
É um céu carregado, rajado e suspenso no ar
Vê, é o sinal das trombetas, dos anjos e dos guardiões
Ói, lá vem Deus Deslizando no céu entre brumas e mil megatons
Ói, ói o mal Vem de braços e abraços com o bem Num romance astral...

Wednesday, October 08, 2008

Eu como com os olhos

Pois então... acho que já nasci mesmo com este defeito de fábrica! Desde bem pequena lembro de passar horas olhando para o teto e imaginando tantas coisas que eu queria ser, ter e fazer e depois de um tempo eu levantava, dava um suspiro e saía satisfeita só por ter imaginado tudo aquilo. Mais tarde, lembro de olhar revistas, paisagens, vitrines, casais namorando, o pôr do sol... e eu já sentia que era um pouco daquilo tudo e tinha um pouco daquilo tudo em mim. E já havia uma satisfação interior.

É claro que eu, às vezes, ficava realmente frustrada de não ter algo ou não ser de um determinado jeito ou não vivenciar certas situações. Costumava dizer que minha vida era são comunzinha e sem graça... Nenhuma aventura, nada de adrenalina, momentos fashion ou ousadias cinematográficas. Nada. Nenhum mecenas descobriu meus talentos ocultos (tão ocultos que nem eu consigo reconhecê-los às vezes...rs); nenhum namorado me telefonou, inesperadamente, avisando que havia um motorista me esperando para me levar ao seu encontro, em um local paradisíaco; nenhum empresário ficou impressionado com algo que eu disse ou fiz e resolveu me contratar para desenvolver um projeto incrível. Não. Nada.

Mas também, se eu pensar com calma, posso concluir que não ia confiar em um louco que dissesse que tenho um talento raro... nem ia gostar de um encontro com o namorado em que eu não pudesse antes me depilar, fazer as unhas - meu Deus! - tomar um banho e passar um creme no corpo ao menos! E esse empresário, heim? Será que esse cara é sério?

Será que eu nunca me dei essas chances?

Será que eu nunca me permiti nada disso porque prefiro ficar saboreando mentalmente as coisas, em um lugar seguro dentro da minha mente, sem correr o risco de sofrer, me decepcionar e quebrar a cara? Ou será que sou uma pessoa desapegada, que realmente não está muito interessada em batalhar por realizações no mundo físico?

Hmmm... Sim, não, talvez! Vou tentar explicar...

Desde muito criança eu sempre perguntava para mim mesma, cada vez que me vinha um desejo: "eu realmente quero isto?" Anos e anos mais tarde, eu me irritava com a pergunta do ex-marido: "você realmente precisa disto?" Mas, vejam bem, fui eu que lancei a moda muitos anos antes. Eu sempre me questionei até que ponto queria algo e esse "algo" podia ser desde um namorado até um vestido, desde um emprego até um estilo. A tradução desta atitude era: qual o preço que eu aceito pagar por isso?

Devo dizer que nunca fui muito disponível para pagar preços altos. Nem em dinheiro vivo e muito menos em energia e disponibilidade. Preguiça? Sim, um pouco sim... Como falei no Via Tarot outro dia, meu pecado de estimação é a preguiça. Mas também a consciência de que nada nesta vida, em especial as coisas materiais podem valer tanto assim.

A verdade é que a minha capacidade de querer, a minha ambição (no bom sentido) surgiu tão tardiamente quanto a minha feminilidade e meu bom relacionamento com o fato de ter nascido mulher. Aliás, eu diria que veio ainda mais tardiamente! E quando não exercitamos muito algo, a musculatura padece.

Existem coisas que eu realmente gostaria de ter, ser e fazer. Eu sonho com elas, eu me alimento das imagens delas, mas eu quero mesmo que elas se manifestem! Mas existem outras coisas que eu só como com os olhos: não quero mesmo ser daquele jeito (mulher misteriosa, sexy e distante); não quero mesmo ter aquilo (pick-up 4X4) ou fazer aquilo outro (ter atitudes irresponsáveis ao invés de esquentar a cabeça por tudo), mas, poxa, é tão bom pensar que quero e posso ser, ter e fazer aquilo tudo!

Às vezes me pergunto qual a função dos desejos... Se servem para nos motivar a lutar por eles ou se servem para aplacar a fome do que não temos, conhecemos, entendemos. E muitas vezes essas fomes são projeções de algo que queremos mas que é tão abstrato, tão inimaginável, que só nos resta procurar em volta um objeto do desejo para substituí-lo.

Não sei... Tem coisas que eu prefiro comer só com os olhos. Tem outras que prefiro comer com o corpo e a alma. Mas é preciso ser tão corajosa para fazer isso! Em alguns aspectos da minha vida, como nos relacionamentos afetivos, sempre consegui essa coragem. Mas em outros... Só em sonho mesmo. Levando-se em conta que fiquei mocinha depois dos 30 e mulherzinha depois dos 40, creio que ainda há tempo para ficar totalmente corajosa e me alimentar de todas as delícias do universo.