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Friday, July 26, 2013

Um clássico!


Me lembrei de uma conversa que tive, em tempos de adolescente, com uma senhora muito sábia. Eu estava triste porque percebi que tinha dois tipos de amigos: amigos que sempre eram companheiros, parceiros... e amigos que só eram mega amigos quando estavam sozinhos comigo ou quando precisavam dos meus conselhos (sim, o talento veio de berço...rs). Mas quando o grupo era grande ou quando era para citar alguém publicamente, elogiar qualidades ou na hora de convidar para fazer algo muito legal eu era esquecida. No meu lugar entrava sempre a garota mais bonita, o cara mais influente, etc...

Então a tal senhora sábia me disse "minha filha, estes aí não são seus amigos! Eles são amigos da moda e do poder. Vão querer sempre unir seus nomes ao nome de quem é famoso, poderoso... eles querem amigos-da-moda".

Nunca me esqueci dessa observação! E hoje, tantos anos depois, continuo vendo este tipo de comportamento com uma certa frequência. No entanto, percebi que o mais bacana de nunca ter sido uma "criatura da moda" é que a gente acaba virando um clássico! Hoje, me vejo como um pretinho básico. No momento das pérolas, posso ficar mais chic, no momento sapatilha posso ficar mais confortável. Mas não saio de moda e minha essência e meu comportamento com as pessoas não mudam de acordo com as estações.

Monday, October 03, 2011

Tempo

Ando brigando tanto com ele...

Mas eu volto! Ah, eu volto!

Sunday, July 31, 2011

Dançando com o vento...


... ou seria com a água, já que nadam peixinhos em volta da dançarina?

Não sei, mas tenho me sentido assim, dançando com o vento e com águas quentes e borbulhantes dentro de mim. Transformações tão profundas que, em certos momentos, me sinto outra pessoa, e ainda assim totalmente eu mesma... Eu quem? É isso... Totalmente sem saber quem realmente sou... Ou sem saber se isso tem tanta importância. Por enquanto, prefiro continuar dançando.

A imagem linda veio daqui, Vale a visita... É uma artista muito talentosa!

Wednesday, July 27, 2011

A qual grupo você pertence?


O mundo é misterioso. E eu já aprendi que não adianta nada lutar contra ele. Olho em volta e vejo que as pessoas que mais lutam, batem o pé, esbravejam ou choramingam, se ressentem, são as que mais vivem ou convivem com as mesmas situações que geram toda essa tristeza, revolta, raiva.

Por outro lado, as pessoas que colocam o foco nas coisas boas que acontecem, são gratas, sabem ver o que há de bonito em si e nos outros, estas estão sempre mais leves, felizes e tranquilas. Muitas vezes tb são mais produtivas, mais prósperas, mais amadas. Posso não compreender a mecânica da coisa, mas prefiro fazer parte do segundo grupo

Thursday, June 30, 2011

Será o inverno ou o inferno?


Há alguns dias comecei a pensar sobre onde estou. Porque, é fato, devo estar em algum lugar que não seja o aqui e agora. Tenho me perdido por sonhos (ando sonhando muito!) e, em função disso, acordado mais tarde. Tenho me perdido em imagens e letras na internet, gastando emoções de identificação: "isso tem a minha cara", "aquilo combina comigo", "ah, eu queria tanto aquilo outro..."

O dia nasce, o dia expande, o dia vai fazer naninha... E eu continuo no mesmo lugar, literal e metaforicamente falando.

Quando entro nesse tipo de processo, em seguida - já me conheço - vem um desespero claustrofóbico: eu quero sair daqui, pelamordasanta! Seja lá que "aqui" for. Quero sair desta prisão! Apesar de não ter celas, nem carcereiro e nem sirene avisando o horário de pegar sol.

Quero sair! Quero sair! Quero sair!

Mas sair de onde, criatura??? (isso sou eu perguntando para mim mesma)

Será que é do lugar onde estou? Do corpo que habito? Da vida em que trafego?

Não sei... Até porque olho em volta e o lugar é tão bonito. O corpo, apesar das auto-reclamações femininas, é bem jeitoso. E a vida anda bem tranquila. Dá até pra meditar!

Fico buscando minha Ariadne interior para conseguir um fio que me leve pra fora do labirinto. Talvez deva fazer uma oferenda à Hécate, que cuida das encruzilhadas, pois (não há dúvida) estou em uma. Já conversei com minha Oxum, pois mães sempre dão bons conselhos. Até puxei assunto com meu Ori e olha que ele me respondeu! Mas apesar de tudo isso, continuo neste "efeito esteira", em que eu caminho até cansar e não saio do lugar!

Agora, olho através do vidro da janela e percebo que o sol apareceu, depois de fazer greve a manhã inteira. E lembro que não coloco os pés para fora de casa desde terça-feira, quando coloquei roupa lavada para secar. Quando falo "não saí de casa" quero dizer que estou emparedada há quase 48 horas, quero dizer que não passei pela porta e nem fui até o quintal para sentir o vento, observar as árvores balançando.

Alguém pode me perguntar: mas não faz falta? Sim e não... Faz falta mudar alguma coisa, mas não sinto vontade de sair. Aliás, sinto vontade de que? Acho que quero ir pra "toquinha"... Toquinha é a nossa sala de meditação, nosso templo, onde temos nosso altar e fazemos yoga. Talvez ficar lá até o inverno acabar. Apesar de uma Carta dos Sonhos ter me falado para parar de brigar com a ordem do mundo, eu ainda insisto em não gostar do frio.

Nem muita fome, nem sem fome alguma. Nem com muito sono, nem com insônia. Nem com muita energia e nem enfraquecida. Nem alegre e nem triste. Nem ansiosa e nem deprimida. Acho que estou Nada.

Eu só quero outra coisa... Outra coisa que ainda não consegui definir, mas que com certeza vai me trazer mais alegria. Outra coisa que será capaz de chamar minha atenção o suficiente para que meus olhos voltem a brilhar e minha boca deixe escapar: "uaaaaau! Que demais!" Outra coisa que faça com que meu corpo comece a sentir o formigamento prazeroso, que mostra que ali mora energia pura! Outra coisa que me faça acordar cedo e antes de abrir os olhos eu sorria e pense "vamos! vamos! há tanta coisa divertida para fazer!"

Talvez eu queira a minha infância de volta. Talvez queira só o lado bom das paixões adolescentes. Talvez queira misturar tudo isso com o poder de realizar que veio com a vida adulta e mais um tiquinho da sabedoria que veio me fazer companhia de uns anos pra cá. Talvez eu queira somente que chegue logo o meu aniversário e que o inferno astral se vá e só volte no ano que vem, na mesma hora, mesmo lugar, com novos questionamentos.

Thursday, June 23, 2011

Procurando vestidos roxos em brechós..rs

“Quando eu for velha, vou me vestir de roxo com um chapéu vermelho que não combina, e não me deixa bem. Quero gastar minha aposentadoria em vinho, lenços de seda e incensos de alecrim, e dizer, que não temos o dinheiro da manteiga.

Sentar-me no chão quando estiver cansada, devorar amostras nas lojas e apertar botões de alarme.

Raspar minha bengala pelos gradis das ruas, para compensar a sobriedade da minha juventude.
Sairei de chinelos na chuva, colherei flores em jardins alheios e aprenderei a escarrar.

Poder usar blusas medonhas e deixar-me engordar, e comer dois quilos de chocolates de uma só vez, ou apenas bolachas por uma semana. Estocar anéis, colares e coisas em caixas.

Mas por ora, devemos ter roupas que nos mantenham secas, pagar nosso aluguel e não xingar pelas ruas. Dando bom exemplo para as crianças. Temos de convidar amigos para o almoço e ler os jornais.

Mas e se eu puder ir praticando um pouco agorinha mesmo? Para quem me conhece não fique chocado ou surpreso.

Quando eu de repente, for velha e passar a usar roxo.”

Jenny Joseph

Friday, June 03, 2011

Suco verde para acordar!

Hoje, com o friozinho e o céu cinza, só mesmo um suco verde para acordar o corpo... Mas ainda estou de pijama... Trabalhando de pijama, minha Santa Afrodite! rs Preciso superar o frio para trocar de roupa. Nesses dias de friagem, eu troco apenas de roupa de dormir na hora do banho...rs Mamãe me ensinou a gostar de todas as variantes da Natureza, mas o frio não me convenceu... A chuva, se o clima estiver quente ou se cair de madrugada, ainda vai... Mas o frio, ah, esse não!

Agora o sol está mostrando o ar da graça, mas ainda muito tímido. Vou tomar um banhinho quente, lavar o cabelo e depois fazer uma hora de yoga, pro corpo acordar mais um pouquinho. Quem sabe até a hora de dormir já estou totalmente desperta! :-)

Saturday, January 01, 2011

Começando assim... amorosamente colorido

Assim eu desejo que seja 2011, com um colorido novo, uma beleza simples e ao mesmo tempo sofisticada. Porque nada é mais chic do que a simplicidade consciente e a alegria espontânea.

Tuesday, November 09, 2010

Parece que minha alma canta junto...




Casa Pré-fabricada

Composição: Marcelo Camelo

Abre os teus armários, eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo

Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais

Mais vale o meu pranto que esse canto em solidão
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela, a primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota

Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz
Tristeza nunca mais

Wednesday, September 15, 2010

Chegou!!!!! Já posso trazer a chuva! :-)

Graças aos deuses que ainda resta algo de narcisismo nesta criatura que vos fala!!! rs

Explico: é que diante de tanta crise interna, tique-tique nervoso e outros quetais (yeah! adoro quetais..rs), é bom perceber um pouco de auto-estima despontando no horizonte!

A questão mais importante, no entanto, é: meu tambor lindo maravilhoso, salve-salve chegou! :-))) Era para eu colocar uma foto minha tocando o dito cujo, mas as fotos ficaram todas feias e esta, em que ele aparece lá no fundo, ficou tão simpática... Pois então!

Fica o tambor em segundo plano e euzinha em primeiro plano, afinal de contas, sou eu que vou tocá-lo (se tudo der certo...rs) Ainda posso fazer uma dança da chuva pra ver se a bendita cai!

Hoje estou num dia SIM, acho que dá pra notar ;-)

Sunday, August 22, 2010

Eu gosto tanto...

...de tomar café da manhã saudável e gostoso, com toda a calma, de preferência acompanhada para uma conversa tranquila

...de assistir o pôr do sol em silêncio, observando o astro rei mergulhar atrás das montanhas

...de acordar com os primeiros raios de sol do dia entrando através da janela e aquecendo o meu corpo

...de caminhar de noite, para me aquecer do frio ou para me refrescar do calor :-)

...de água, banho de banheira, banho de chuveiro, banho de chuva, banho de piscina, banho de mar

...observar, atentamente, crianças pequenininhas brincando e conversando

...fazer de atos rotineiros situações especiais. Exemplo: o jantar em frente ao computador vira jantar em mesa bem posta, com música ao fundo, incenso, vinho e boa conversa; a hora de ir pra cama dormir, vira o momento de conversas íntimas, riso e massagens; a hora de acordar vira o momento de introspecção e meditação para estar em harmonia para começar o dia.

PS: a salada de fruta da foto, com mel e granola, foi o meu café da manhã de hoje.

Saturday, August 14, 2010

Para começar o dia


Estou ainda ensaiando, como o rapazinho, começando baixinho, meio desanimada. Mas tenho certeza que logo logo estarei afinadinha e cantando a plenos pulmões. Porque tem algo acontecendo, em mim e em todo lugar. E é preciso estar aberto a estas mudanças, é preciso silenciar os pensamentos repetitivos e deixar o coração agir.

Esta acontecendo agora, já, silenciosamente, sutilmente. Só quem está sentindo a mesma coisa é que sabe do que estou falando. Isso envolve nosso corpo, nossa energia, o planeta Terra e tudo mais. Nosso DNA não é mais o mesmo de quando nascemos, ele se transforma. Nossas moléculas se aceleram, nosso planeta se acelera e a Ressonância Schumann está aí para provar tudo isso.

Então, temos que entrar na vibração de "Oh happy day", porque cada dia é e será sempre especial, com a nossa consciência ancorada no aqui e agora. Porque aqui e agora é em qualquer tempo e em todo lugar. Mas somente quando fixamos nosso ponto de percepção no presente é que somos capazes de navegar conscientemente no TODO.

Sunday, July 18, 2010

Passeando por aí...

Dos 30 dias de férias, viajei uns 25. Feliz! Aliviada por estar longe das chatices cotidianas, curiosa por descobrir que existe um mundão de meu Deus do qual estava distante há quase duas décadas! Impressionante como vamos fechando o horizonte distante e amplo, até que só exista dois palmos diante do nariz. Talvez um pouquinho mais, o suficiente para não sufocarmos de vez e termos a sensação de que somos livres.

Assim tenho me sentido, dentro dos altos e baixos de humor: prisioneira da segurança que construí. Um emprego seguro, uma cidade segura, uma vida segura. Tudo tão seguro que fica me segurando no mesmo lugar e me tirando o ar.

Já me perguntei se seria a velha crise dos 30 que se atrasou mais de 10 anos, ou mesmo a crise dos 40 também meio fora de época. Já inventaram crise para todas as décadas, é provável que também exista a dos 50, dos 60, apesar de eu não me lembrar da dos 20 e muito menos da dos 10. Na verdade, minha vida sempre foi algo estranha, uma coisa assim... tão feliz por fora e tão enroscada por dentro. Acho que minha cabeça é enroscada! E quando dou atenção a ela, o universo parece se enroscar também. Mas quando consigo tampar os ouvidos e cantar "lá-lá-lá-lá", como quem se recusa a ouvir a mente, então tudo parece fluir com tamanha naturalidade que não importa o lá fora, só o aqui dentro... e o aqui dentro está sempre bem.

Passeamos por aí, eu e o sócio. Só o fato de sair "daqui" já me bastaria, mas além disso os dias viajando pareceram se multiplicar! Hoje, tenho a sensação de que passei meses fora e foi tudo tão bom que preciso controlar a mente e o coração para não ficar com a velha sensação de "bem-vinda ao cárcere!". Amanhã volto ao trabalho e creio precisar de muita preparação psicológica e talvez uma barra de chocolate também...rs

Não sei ao certo o que fazer. Mas sei que, urgentemente, preciso mudar meu estado de ânimo. Mesmo que eu consiga a "condicional" no começo do ano que vem (condicional = licença de dois anos sem vencimentos) e parta para um período de aventura, tenho que descobrir uma forma de viver saudavelmente até lá.

Administrar a pressão interna é um desafio. Segurar a vontade de abrir o portão de casa e sair a pé, descalça e descabelada estrada afora, até chegar no primeiro lugar onde me dêem abrigo, também. Tudo bem... Eu já tive a síndrome de Thelma e Louise uns anos atrás, quando olhava para o carro na garagem e sentia o ímpeto de cair na estrada, cair no mundo... mas agora nem o carro eu tenho mais, então tem que ser um tipo de crise mais modesta, mais tupiniquim, mais "de raiz", com os pés sujos de barro das estradas de Minas...rsrsrs

Bah... Pelo menos o bom humor é resistente! Amém! :-)


Olha a minha carinha feliz, fazendo bagunça com a amiguinha...rs Eu e Claudinha cobrindo o bumbum da moça-estátua, afinal de contas somos moças de família! :-)

Sunday, May 16, 2010

Misericoooórdia! rs

Esta foto foi tirada em torno das 18h de hoje...

Vocês sabem o que isso quer dizer?

Não????

Então, provavelmente, caros leitores, vocês são uns felizardos, que moram em algum local quentinho e aconchegante. Vocês conseguem passar os meses de maio até agosto só com um elegante blazer para se proteger do frio, ou quem sabe uma echarpe combinando com o top ou ainda um tradicional cardigan por cima do vestidinho (tem coisa mais fofa do que cardigan + vestidinho?)

Pois então...

Eu sei que a inveja é uma coisa muito feia, mas não consigo controlá-la neste período do ano. Fico pensando nos beduínos do deserto, fico imaginando os nordestinos da caatinga, tento imaginar a sensação de viver com o bumbum sentado em cima da linha do Equador. Ai, coisa boa! Lembro da minha tia e das minhas primas, que há muitos anos foram morar em Aracaju e que dizem que lá a única diferença entre inverno e verão é que no inverno chove. Ai, ai... Coisa feia esse negócio de sentir inveja... E quando o marido conta que lá em Manaus, segundo reza a lenda-amazônica da família dele, só existem duas estações no ano: o verão e o "inferno"? Ui! Chego a sentir o calorzinho aqui!

Na verdade, nem preciso invejar outras pessoas, posso invejar a mim mesma, na época em que morava no Rio. Ah... Bons tempos! Aquele ônibus lotado, o povo se apertando e suando... A gente rezando para que chegasse logo o ponto... Depois andando debaixo do sol quente, implorando por um ventinho, uma brisa leve que fosse! E quando o ar condicionado dava defeito? (eu quero isso! eu quero issoooo! rs) Ou então aqueles dias em que eu ia entrevistar alguém e ficava horas esperando, olhando o relógio e sonhando com o trajeto casa-chuveiro-ar condicionado-sorvete.
O ser humano é assim, meio abestalhado mesmo, não sabe o que é felicidade até perdê-la.

Enquanto isso fico eu aqui, parecendo um urso, com um agasalho em cima do outro, contando os dias para o meu aniversário, já que uma das coisas mais lindas e poéticas do dia em que eu nasci - 29 de julho - é que ele anuncia o retorno do Deus-Sol, o calor. Yes!

Ah, sim... vocês estão se perguntando o que isso tudo tem a ver com a paisagem maravilhosa e avermelhada que vi da varanda do meu quarto? Simples! Quem mora em terra fria sabe: céu vermelho no final do dia anuncia noite fria... às vezes até com geada! Misericoooórdia, Senhor! rs

Saturday, April 03, 2010

Uma Páscoa colorida e cheia de encantamentos

Pois então...

O tempo passa. Apesar de Einstein ter afirmado que o tempo e o espaço são relativos, ainda não descobrimos a forma exata de relativizá-los, então, eles ainda se fazem presentes em nossa vida. Não tenho mais quem faça as pegadinhas de coelho de farinha para mim e se eu fizer pegadinhas de coelho para o meu filho (17 anos) é capaz de ele achar que estou mais louca do que de costume. Isso sem falar que o piso da minha casa é branco e não vai dar para enxergar as pegadinhas de farinha...rs

Estou preparando as festividades de Páscoa há, mais ou menos, três dias. Chocolates, lembracinhas artesanais e pesquisa na net atrás de receitas de um bolo bem especial. A celebração seria adiantada, um lanche que deveria estar começando agora... :-) Mas a vida atribulada da família não permitiu. Confesso que até chorei no colo do marido (hoje estou sensível, deve ter sido o pesadelo que tive de noite). Não sei se por conta disso, ele aproveitou a saída para academia e voltou cheio de guloseimas! :-)

Então, daqui a pouco vou para a cozinha fazer o bolo de cacau e vinho. Se o resultado for tão bom quanto o prometido, volto aqui e faço a postagem com a receita. Então, amanhã o filhote vai embora e vamos ver se ao menos fazemos um almoço mais caprichado e comemos o bolo de cacau e vinho (isso soa tão gostoso!rs).

Há coisas que não temos como resgatar, é fato. E às vezes fico meio melancólica sobre isso. Hoje, almoçava com o filhote e conversávamos sobre fatos do passado. Eu contava para ele algumas das suas peripécias infantis e dizia o quanto ele era fofo, inteligente e bem articulado. Isso sempre faz com que ele fique com ciúme dele mesmo...rs Mas então eu explico que, atualmente, ele é um rapaz adorável e que em cada fase há algo de encantador. Quando falo isso, penso que também eu deveria tomar consciência disso. Não sei se sei levar muito bem esta coisa do tempo passando... Não sei... Em vários sentidos. Sei lá!

Enfim... Que a Páscoa possa renovar e fazer renascer as nossas alegrias do passado, transformando-as em novas alegrias do presente. Assim, como o coelho colorido que fiz para o filhote (olha só as vantagens do filho não visitar o nosso blog... a gente pode colocar aqui algo que ainda é surpresa pra ele, e ele nem desconfia...rs), espero que a nossa Páscoa seja colorida e cheia de encantamentos! E que eu continue "Alice" durante muito tempo, em meu país das maravilhas muito particular e atemporal.

Sunday, January 31, 2010

A libélula

Da janela do escritório, logo em frente a minha mesa de trabalho (repleta de fitas coloridas, rendas, contas e tecidos), fico observando a libélula e ela também me olha. Um vôo sutil e o pouso na transparência do vidro. Às vezes eu quero voar com ela para tão longe... Às vezes eu quero, simplesmente, estar imóvel na transparência. Às vezes nem quero...

Saturday, January 09, 2010

Onírica

O segredo mais secreto de todos que carrego comigo, nos últimos tempos, é que não vivo mais aqui, neste mundo que todos conhecemos. Aqui deixo apenas um tipo de holograma, capaz de executar as tarefas cotidianas. É apenas esta imagem que trabalha, vagueia pelas ruas, faz compras, empurra os móveis, atende o telefone. Quando, eventualmente, eu venho para cá, choro e me sinto só. Meu holograma consegue lidar com o corriqueiro, ele ri, cumpre suas obrigações e até briga, vez por outra, quando percebe algo injusto ou com o qual ele não concorda.

Enquanto isso, eu permaneço no mundo sem tempo, onde descubro mais e mais coisas a cada olhar curioso sobre as pequenas flores e as borboletas. Talvez eu não tenha conseguido "ser telúrica", como a Baby, mas com certeza "sou onírica", como era desde o primeiro choro ao nascer e através dos sonhos e pesadelos que construíram toda a minha infância. Não sou daqui, mas nem diria que sou de lugar nenhum. Sou de lá... De onde os sonhos brotam e viajam pelas brechas do tempo para aportarem em nossas camas, toda noite, a noite inteira.

Eu pertenço aos sonhos. Lá é o lugar a que pertenço. Como bolhas de sabão crescendo indefinidamente e ocupando tudo em volta, assim sinto meu corpo entrar no mundo dos sonhos. Pé ante pé tento manter-me centrada, mas meu centro gira... Meu centro roda em volta as luzes coloridas e se transforma em aquarela.

Estrangeira, alienígena, incompatível, inadequada. Sempre disfarcei muito bem! Para os que pensam que me conhecem, nem há sombra do conhecimento para mim mesma. Prefiro ser holograma que já conheço e que todos já estão acostumados. Ser eu mesma é sofrido e trabalhoso e humanamente impossível do lado de cá, já que não é muito humano. "É por aqui que eu saio!" como sonâmbula ou como Alice... Na verdade, não houve mudança, continuo andando dormindo por aí, desde criança, e não quero acordar.



A imagem maravilhosa veio daqui e eu acho que não quero mais sair de dentro deste blog :-)