Friday, October 10, 2008

Vamos assumir a chatice publicamente - Parte I (porque muitas ainda virão!)

De vez em quando acontece assim: a conversa começa na escola, me acompanha no caminho de casa e continua no decorrer do dia. E agora mesmo conversava com meu amigo e coleguinha jornalista Plínio (um queridão!) sobre nossas rabugentices de esti- mação. Eu tentando disfarçar as minhas, ele assumindo as dele, como opção de vida...rs

Daí vieram outros papos e a crítica que tenho feito nos últimos tempos em relação ao comportamento das pessoas. Minha mãe costuma dizer que em "tempos idos" todos eram mais educados, refinados, havia uma sofisticação natural muito mais baseada na gentileza do que em estudo. Meu avô costumava valorizar quem tinha "berço", muito mais do que quem tinha dinheiro. E acho que herdei isso do velho e sábio seu Antônio.

Eu sei que sou mais chata do que a média, mas percebo que a situação está tão relaxada que até as outras pessoas começam a perceber. Lá no trabalho, freqüentemente, lembram de uma moça, que trabalha em outra escola, cuja postura não combina nem um pouco com um pátio cheio de crianças inocentes brincando. O que questiono sempre não é o que a mulher faz, concretamente, não estou aqui querendo julgar a vida sexual alheia. Cada um sabe de si! E o que faz entre quatro paredes. Mas não precisa dar amostra grátis para o público em geral...

A verdade é que muitos homens e mulheres se comportam como se tivessem fazendo um marketing pessoal do seu desempenho sexual. Um aperitivo de caras e bocas, um kit-press de noites calientes. Pra quê isso, gente?! A chatonilda aqui só consegue pensar que tudo isso é muita insegurança e necessidade de fazer propaganda enganosa.

Tudo bem... alguém pode dizer que estou ficando velha e que só gosto de reclamar ou estou ficando moralista. Mas se sou chata (e sei que sou!) isso é problema antigo, pois me lembro bem quando aquela moçoila que surgia rebolativa na TV, a cada Carnaval com menos roupa, apareceu pela primeira vez com o corpo coberto somente por tinta. Eu era bem novinha... e meu comentário foi: bem, daqui a pouco o povo vai ter que virar a mulher do avesso, porque não tem mais o que mostrar pelo lado de fora...rs

Olha, longe de mim querer podar a libido da galera. Ao contrário! Adoro uma safadeza bem feita, de preferência com quem a gente ama...rs Mas é bom que cada coisa tenha o seu lugar. Ninguém se comporta na intimidade com a formalidade utilizada numa reunião de negócios... Então, seria interessante não levar a postura que se tem na intimidade para a reunião de negócios também. Não é questão de moral, é questão de bom senso. Isso sem falar da estética... Ah! A estética!!! Eu com minha dupla regência de vênus (no ascendente em libra e na lua em touro) valorizo por demais a estética das coisas, pessoas, posturas, situações... E na minha opinião existe na estética da sedução muito mais uma mistura sutil de inocência e malícia, uma promessa de desejo a se realizar, do que a vulgaridade estalada na cara como anda sendo propagada por aí.

Para horrorizar mais um pouquinho os liberais, vamos lá, dar alguns exemplos: mulherada dançando funk naqueles bailes pancadões, pra mim, é são sensual quanto um exame ginecológico de grávida em postinho de saúde do subúrbio (não tem nem o ambiente bonito pra colaborar). Fio dental é uma criação tão fracassada que quando se trata daquele que a gente passa nos dentes, a gente se esconde no banheiro pra usar (ou ao menos deveria) e quando é aquele que deveria parecer um biquine, em 95% das vezes, a gente tem vontade de se esconder também... para não ver tamanha aberração! Porque - vamos combinar? - com exceção de algumas anoréxicas e outras fisiculturistas, não há bundinha neste planeta que fique bonita em um negócio daqueles...

Outra coisa... Essa moda de calça baixa, com a barriga de fora. Um show de sensualidade é quando o corpo está elegante, a blusa é discreta e surge, sutilmente, a imagem parcial de uma barriguinha, uma frestinha de barriga! Isso é bem diferente de uma criatura uns 10 quilos acima do peso ideal, uma calça que mais parece uma segunda pele de tão apertada, um top que deveria ser utilizado para ir à ginástica ou à piscina e um tamanco de salto plataforma... Se as unhas estiverem pintadas de vermelho, a beirada da calcinha ou a alça do sutien estiverem aparecendo e o bumbum for do tipo exuberante então... Nossa! Mas será que sou só eu que acho isso horrível? E eu estou falando somente da parte estética, heim? Não entrei ainda no detalhe do comportamento propriamente dito! Porque aí a coisa piora bastante!

Enfim... Sinto saudade de um tempo que eu nem vivi, como dizia o Renato Russo, porque eu acho que a mulher era muito mais sensual, linda, sedutora lá pelos anos 30, 40, 50. Eu já nasci em uma geração em que a gente não aprendia a ser mulher "de verdade". Já estava uma tremenda confusão: misturaram direitos iguais com ser tudo igual... misturaram a mulher ter mais liberdade com a mulher fazer tudo de pior que o homem fazia... o resultado não foi nada bom! As pessoas fingem que não perceberam isso... Mas basta olhar em volta e olhar para a relação entre homens e mulheres para ver que não houve muita evolução. Em alguns casos houve involução!

Mas chega de reclamar! Nem eu me aguento mais... Pelo menos por hoje... ;-)

4 comments:

Flora Maria said...

NOSSA !!!

Até assustei com o desabafo, que , por sinal, assino embaixo.

E fiquei emocionada quando falou do meu querido pai/neto que completaria 106 anos no dia 8 !

Tempos idos...
Acabei de postar no Pouso falando dos sobrados de São Lourenço - retratos de uma época romântica.
Coincidências ?

Beijo
Flora Maria

Cláudia Mello said...

Pra vc ver como nós conhecemos muito pouco as pessoas com quem convivemos! rs

Pois é, me lembrei no dia... Ele era um típico libriano: gostava de coisas belas, tinha uma estética refinada...

Estamos todos ligados e não existem coincidências. Como dizem por aí: somos todos Um!

beijão

Hazel said...

Cláudia, subscrevo inteiramente.
Também me questiono onde isto irá parar. Não é só no Brasil, pois aqui também vai pelo mesmo caminho. Infelizmente, constato que esses exemplares de propaganda sexual enganosa são sempre os que mais progridem nos empregos, e aqueles por quem muitos maridos deixam as suas mulheres. É triste que já quase ninguém valorize as pequenas grandes coisas, como a discrição, o bom-senso, a educação, a honestidade...

Cláudia Mello said...

Oi, Hazel!

Sabe o que sempre lamento quando vejo esta situação? É que no fundo todos continuam infelizes... Eu nem comentaria o fato se, mesmo discordando da postura, eu visse que todos estamos mais felizes, relacionamentos afetivos dessem certo, etc... Mas não é o que vejo!

Olho em volta e vejo pessoas perdidas, sem um propósito de vida, que acabam se lançando em um processo de consumir muito e de tudo: produtos, pessoas, relacionamentos, situações... A Humanidade está doente! E fico impressionada pelo fato das pessoas (todas) não enxergarem isso de uma forma tão óbvia.

Enfim... Cada qual deve ter lá seus desafios a superar...

Continuemos nós do nosso jeito porque, como diz meu pai, não adianta eu dizer que só de pirraça vou fazer que nem os outros porque não conseguimos ser o que não somos ;-)