Wednesday, October 01, 2008

Rituais de Passagem

Hoje, na expectativa do horário da cabelereira, saí de casa para o trabalho e vim pensando nos pequenos rituais de passagem que criamos no decorrer da vida, normalmente, de forma inconsciente. Puxando um pouco pela memória, lembrei que foi no ano em que me casei pela primeira vez que fiz minha primeira tatuagem, uma pequena borboleta, nas costas, da altura da omoplata esquerda. E no ano em que me separei que fiz a segunda, uma tribal enorme, também nas costas, na altura dos quadris. A conclusão também é interessante: foram 12 anos entre uma e outra, e a segunda foi tão maior que só poderia mesmo refletir o que todos que passam por longos relacionamentos sabem: eles deixam muitas, muitas cicatrizes.

Também me lembrei das duas épocas específicas em que cortei radicalmente o meu cabelo depois que consegui deixá-lo crescer aos 17 anos. A primeira foi aos 27 anos, aproximadamente 2 anos depois que meu filho nasceu. A segunda foi aos 36 anos, aproximadamente 2 anos depois que me separei do primeiro marido. E olhem que interessante: aos 17 ficam longos (foi também uma mudança radical!), aos 27 são cortados, aos 36 novamente. Praticamente a cada 10 anos. Ciclos de aproximadamente 10 anos. Dessa vez é que resolvi partir o ciclo ao meio...rs

Mas isso não é uma particularidade minha. Creio que todas as pessoas passem por esses pequenos rituais. E isso não acontece por acaso, creio que seja algo mesmo implantado no inconsciente coletivo. Prova disso está nos diversos ritos de culturas das mais variadas espalhadas pelo planeta.

Dois exemplos me parecem bem marcantes: o primeiro é o da tatuagem de henna que as noivas indianas fazem nos pés e nas mãos, chamada Mehandi. A tradição manda que um dia antes do casamento a noiva se reúna com todas as mulheres da sua família e mais as amigas mais próximas e que seja feita a pintura com henna, enquanto as mulheres cantam e contam histórias engraçadas. É um ritual reservado somente às mulheres e serve para garantir prosperidade para a nova família que será constituída a partir da cerimônia de casamento no dia seguinte. A tatuagem de henna dura cerca de uma semana e enquanto ela ainda puder ser vista a recém casada está proibida de executar qualquer serviço doméstico (cá pra nós, eu acho que pediria para que fizessem em mim uma tatuagem definitiva, assim me livraria do serviço doméstico para sempre!!! rs)

O segundo exemplo é o corte de cabelo dos homens do Japão antigo, chamado chonmage. Reza a lenda que no ano de 1878 o Imperador Meiji realizou o danpatsu (corte de cabelo) para desfazer o chonmage e com ele toda uma tradição de séculos. O novo corte de cabelo que passou a ser usado não somente pelo Imperador mas, pouco a pouco, por todos os homens do Japão era um corte de influência ocidental, ou seja, curto. Este talvez seja o primeiro sinal da mudança cultural que veio a acontecer na terra do sol nascente, deixando clara a forte influência do Ocidente sobre o Oriente.
Os dois exemplos que escolhi são até bem "lights", existem rituais de passagem que, para o olhar da nossa cultura, são de uma brutalidade absurda! Mas, sem dúvida, eu prefiro os rituais que a própria pessoa resolve fazer, sem que isso seja obrigatório por questões familiares ou culturais. Então é isso... Lá vou eu com a cabeleira e a coragem para o salão... depois eu conto...

2 comments:

Nancy Passos said...

Oi Cláudia !!!

agora estou curiosa com o cabelinho novo rs..., menina adoro cortar o cabelo sou a alegria do cabelereiro chego lá e falo - Não tenho medo de cortar o cabelo rs...mas sempre tenho uma idéia do que quero e é assim mesmo depois que algo importante passa fico com comichão rs...minha última foi em Junho, você viu o resultado pela fotinha rs.., um outro 'ritual' nem sei se posso chamar assim é quando pinto as unhas de Vermelho, hummm dá uma força rs..., mulher é muito engraçada e tudo de bom mesmo, agora estou planejando um ritual no meu guarda-roupa rs... estou pensando em mais saias e vestidos, vamos ver ...nesse verão !!!

Beijos adorei tudo por aqui !

Cláudia Mello said...

Oi, comadre!

Estou super-feliz com o resultado do cabelinho novo! :-)))Acho nunca saí do salão assim... sem odiar a cabelereira e todos os seus antepassados e gerações futuras...rsrsrs

Estou terminando de me arrumar aqui para ir para ir trabalho (terça e quinta pego o turno da tarde na escola), daí aproveito e tiro a foto pra postar depois.

Pintar unha de vermelho ou café ou outro tom bem forte, acho que ainda dá para contar só nos dedos das mãos quantas vezes fiz isso na vida! Talvez umas 7 vezes não mais...Minha unha é pequenininha demais (eu sou pequenininha demais!!! hahahahaha! Calço 34, visto 38, minha numeração de anel é infantil)então acaba que eu pinto daquele renda básico mesmo... isso quando pinto! É mais fácil eu fazer as unhas do pés e não fazer as das mãos, porque faço o serviço de casa todo e ainda o artesanato, estraga tão rápido que eu acho que é jogar dinheiro fora.

Agora a arrumação de guarda-roupa... hmmm... nem me fale!!!! Desde que comecei a fazer o brechó virtual da filha de uma amiga que ando com a cabeça a mil... eu mesma já comprei algumas coisas lá e pretendo dar uma geral por aqui, me desfazer de muita coisa e criar um guarda-roupa enxuto e que tenha mais a minha cara de hoje (que não preciso mais daquelas roupas caretas de assessoria de comunicação...eca! rs)

beijão