Um dia a gente percebe que deixou de fazer aquilo que realmente importa. Os anos passam e coisas sem importância ganham destaque na vida. Ocupamos nossos pensamentos e nosso precioso tempo com fatos insignificantes. Então, vem a aterrorizante pergunta: o que eu quero da minha vida? Bem, eu ainda não descobri tudo que quero, mas se eu quero fazer o que gosto e sei fazer bem, é bom começar com dois itens: palavras escritas e cartas de tarot. O resto se constrói com o tempo.
-----Porque saudade é um trem que vai e vem, silenciosamente. -----E amor é como estar bem, a gente repara mais quando não está. -----Mesmo eu, que canso de dizer -----Te amo, te amo e mais -----Percebo o quanto é esse mais -----Quando estou sem você
Não canto mais Babete nem Domingas Nem Xica nem Tereza, de Ben jor;
Nem Drão nem Flora, do baiano Gil; Nem Ana nem Luiza, do maior;
Já não homenageio Januária,
Joana, Ana, Bárbara, de Chico;
Nem Yoko, a nipônica de Lennon; Nem a cabocla, de Tinoco e de Tonico;
Nem a tigreza nem a vera gata Nem a branquinha, de Caetano; Nem mesmoa linda flor de Luiz Gonzaga, Rosinha, do sertão pernambucano; Nem Risoflora, a flor de Chico Science, Nenhuma continua nos meus planos. Nem Kátia Flávia, de Fausto Fawcett;
Nem Anna Júlia do Los Hermanos.
Só você, Hoje eu canto só você; Só você, Que eu quero porque quero, por querer.
Não canto de Melô pérola negra; De Brown e Hebert, uma brasileira; De Ari, nem a baiana nem Maria, Nem a Iaiá também, nem minha faceira; De Dorival, nem Dora nem Marina Nem a morena de Itapoã; Divina garota de Ipanema, Nem Iracema, de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro, nem Cremilda;
De Michael Jackson, nem a Billie Jean;
De Jimi Hendrix, nem a doce Angel; Nem Ângela nem Lígia, de Jobim;
Nem Lia, Lily Braun nem Beatriz,
Das doze deusas de Edu e Chico; Até das trinta Leilas de Donato, E de Layla, de Clapton, eu abdico.
Só você, Canto e toco só você; Só você, Que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo E nem a amada amante de Roberto; E nem Michelle-me-belle, do beattle Paul; Nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
E nem B.B., la femme de Serge Gainsbourg; Nem, de Totó, na malafemmená; Nem a Iaiá de Zeca Pagodinho; Nem a mulata mulatinha de Lalá;
E nem a carioca de Vinícius E nem a tropicana de Alceu E nem a escurinha de Geraldo E nem a pastorinha de Noel E nem a namorada de Carlinhos E nem a superstar do Tremendão E nem a malaguenha de Lecuona E nem a popozuda do Tigrão
Só você, Hoje elejo e elogio só você, Só você, Que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista, De Mário Lago e Ataulfo Alves, Não canto nem Emília nem Amélia, Nenhuma tem meus vivas! E meus salves! E nem Angie, do stone Mick Jagger; E nem Roxanne, de Sting, do Police; E nem a mina do mamona Dinho E nem as mina – pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê e loira do É O Tchan, Lôra de Gabriel, o Pensador; Laura de Mercer, Laura de Braguinha, Laura de Daniel, o trovador; Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro rei, o do baião
Nenhuma delas hoje cantarei: Só outra reina no meu coração.
Só você, Rainha aqui é só você, Só você, A musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça Dessas que com seus dotes e seus dons, Inspira parte dos compositores Na arte das palavras e dos sons, Tal como Madallene, de Jacques Brel, Ou como Madalena, de Martinho; Ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry, E a manequim do tímido Paulinho;
Ou como, de Caymmi, a moça prosa E a musa inspiradora Doralice; Se me surgisse uma moça dessas. Confesso que eu talvez não resistisse; Mas, veja bem, meu bem, minha querida; Isso seria só por uma vez, Uma vez só em toda a minha vida! Ou talvez duas... mas não mais que três...
Só você... Mais que tudo é só você; Só você... As coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite; É como a rosa, luz de Pixinguinha; É como a estrela pura aparecida, A estrela a refulgir, do Poetinha; Você, ó flor, é como a nuvem calma No céu da alma de Luiz Vieira; Você é como a luz do sol da vida De Steve Wonder, ó minha parceira.
Você é pra mim e o meu amor, Crescendo como mato em campos vastos, Mais que a gatinha para Erasmo Carlos; Mais que a cigana pra Ronaldo bastos; Mais que a divina dama pra Cartola; Que a domna pra Ventadorn, Bernart; Que a honey baby pra Waly Salomão E a funny valentine pra Lorenz Hart.
Só você, Mais que tudo e todas, é só você; Só você, Que é todas elas juntas num só ser.
---Será que esta beleza toda sempre esteve aí e eu estou mais contemplativa? O período longe de um trabalho formal (o tal do emprego) está me fazendo tão bem! E não dá nem para dizer que estou sem fazer nada, porque as atividades não faltam! Cursos e consultas de tarot, o círculo feminino, o artesanato, o jardim e as ervas mágicas, o curso de roteirização e os novos contatos que surgiram a partir dele (e todas as possibilidades de projetos a serem desenvolvidos)... Enfim, tantas emoções...rs ---É muito bom poder acordar, a cada dia, com expectativas novas, com tempo para ser administrado de acordo com as minhas prioridades e não com as ordens do patrão. É prazeroso aproveitar o final de tarde para fotografar todos os céus e todas as nuvens disponíveis, nos mais variados tons. É reconfortante poder ficar do lado de dentro de casa, o lado quentinho, olhando a chuva bater na vidraça com a violência típica das tempestades de verão (que neste ano resolveram chegar na primavera). Não tem preço a possibilidade de ficar tão próxima da família, podendo conversar, brincar, cuidar das pessoas que amo. É divertido fazer comidinhas gostosas e ficar esperando o momento da primeira garfada, a hora em que o Fê faz aquela cara de "pára o mundo agora, só pra eu sentir este sabor!" É gostoso preparar um jantar surpresa para que o filhote pergunte: "o que está acontecendo? Pra que isto tudo?", apontando a mesa arrumada e as velas acesas. ---Procuro aproveitar cada um desses momentos, sem a ansiedade do apego, sem aquela angústia de contar dias, semanas, meses, sabendo que daqui a pouco serei chamada e terei que fazer parte, novamente, da massa que segue, como robôs, a caminho do trabalho todo dia de manhã (e ainda agradece a Deus por ter um emprego, afinal, quanta gente por aí desempregada). Eu não faço parte deste mundo, não faço parte da mediocridade, não faço parte da cultura robótica. Não sou cega. Não morri. E fico mesmo assustada ao observar a forma com que as pessoas vivem e acreditam, de verdade, que não há outro jeito. ---Estamos aprisionados, escravizados, condicionados. Realmente acreditamos que para viver é preciso entregar a alma junto com a carteira de trabalho e nem ao menos percebemos que, ainda assim, mesmo abrindo mão do tempo para ficar com quem amamos, tempo para aprender mais, tempo para cuidar da saúde e do bem-estar, o máximo que conseguimos é sobreviver, não viver. ---E, sinceramente, não sei o que é pior: viver assim e achar normal ou despertar. ---Quero ser livre. Ninguém perguntou como eu queria viver. Ninguém quis saber quem eu sou, o que quero da vida ou quais são meus sonhos. Como dizia Don Juan: não honro acordos dos quais não participei.
---Quantas camadas devem existir entre a coisa mais parecida com nossa essência e o que mostramos por aí? Sempre que remexo o baú das lembranças, sempre que me disponho a olhar de frente para minha forma de sentir e pensar, fico perplexa!Existem máscaras e máscaras e máscaras sem fim... ---O processo de desarmamento interno é duro, doloroso. O processo de se entregar ao outro, sem medo, sem "plano B" então... nem se fala! Um longo aprendizado! ---Depois da experiência de ontem, do sonhar da madrugada e da leitura de hoje concluo o óbvio: a mudança está sempre em nós. Não há como mudar o outro diretamente. Não temos o direito e nem o poder de mexer no outro, em suas crenças, sentimentos e decisões. Mas podemos olhar para dentro, modificar nossos próprios padrões de comportamento e pensamento. Podemos focar naquilo que queremos para a nossa vida. É verdade, não é lenda: o mundo muda se você muda. ---Acredito mais nisso a cada dia! Não como uma forma de crença aleatória... Acredito porque tenho testado e colhido os resultados. O mundo é misterioso... E ficamos insistindo em receber respostas racionais e lógicas em relação aos processos que nos cercam. Acontece que ainda não conseguimos explicar as nossas próprias ações e emoções, como poderemos explicar algo que sai do nosso corpo-limite? ---O ser humano repete sem parar os caminhos já conhecidos-percorridos. Sua dependência de coisas conhecidas é tão doentia que ele prefere repetir o que traz dor (ao menos é uma dor conhecida) do que arriscar no novo, que pode trazer alegria e contentamento. Que segurança é esta que buscamos? ---Não queremos ser manipulados, mas queremos determinar exatamente de que forma as coisas acontecerão. Não queremos que nos dêem ordens, mas queremos ordenar exatamente o grau de importância de sentimentos, conceitos e outras coisas abstratas para que eles recebam maior ou menor atenção em nossa vida corrida. ---Ao invés de ficar brigando com tudo e todos, prefiro ser a Senhora do meu próprio Reino Interior. Neste lugar eu poderei retirar todas as máscaras, as camadas de mágoas e ressentimentos, as frustrações que tiram o brilho dos olhos, as decepções que nos afastam do amor, a dor que leva à letargia... Então, magicamente, a transformação virá. E haverá um tempo em que não mais saberei onde termina meu Reino e onde começa o mundo (chamado) real. E ao invés disso ter o nome de loucura, insanidade... isto será lucidez... sábia lucidez...
---(Obrigada, Lilia, que tem me mostrado as placas indicativas no caminho da lucidez)
---Não existe destino e nem fatalidade, afirmam alguns... No entanto, percebo que certos questionamentos e certas situações parecem dar voltinhas durante algum tempo, para depois retornarem ao centro da nossa testa, também chamado de ajna ou o chakra da visão, ou seja, retornam ao mesmo lugar de onde - parece - nunca saíram, o nosso foco, a nossa atenção. ---Tenho uma boa coleção de assuntos/questionamentos assim, tipo bumerangue, que atiro para longe, mas ele insiste em retornar. Um deles diz respeito ao que eu chamo de “vocabulário de gueto” também conhecido como linguagem cifrada para enganar trouxa ou ainda método de aquisição de poder através da criação de dialetos. ---Desde que entrei neste estranho mundo dos concursos públicos, encontrei pilhas de critérios de seleção para questionar e mais outras coisinhas meigas que classifiquei de “a forma mais eficaz de eliminar pessoas que poderiam ser ótimos funcionários”. Até aí, tudo bem... A idéia não é conseguir excelentes funcionários públicos (vide a maior parte dos serviços públicos à disposição dos cidadãos), a idéia é se livrar do maior número de “chatos que insistem em achar que podem passar” o mais rápido possível! E tenho perfeita consciência de que só consegui passar no concurso da Prefeitura sem nem ter estudado muito, porque a relação candidato/vaga estava de 54 pra 1, ou seja, havia poucos chatos que insistem em achar que podem passar a serem eliminados. ---Mas, acompanhando o Fernando na prática desse estranho esporte chamado estudar para concurso, fui obrigada a dar de cara – de novo!!! – com aquele velho conhecido, o vocabulário de gueto. A razão é fácil de compreender: adentramos o Judiciário!(pelo menos estamos tentando) E aí, mesmo que você não esteja pleiteando um cargo específico para advogados, é preciso estudar as Leis (e que saudade dos 10 Mandamentos!) ---Sério... Sem piadinhas... Deus que é Deus, que não precisou fazer concurso para assumir o cargo, é bem claro nas suas Leis. Em primeiro lugar, são só 10, (oni) ciente que Ele é de que o ser humano tem memória curta. Ou seja, 10 é um número redondinho! Não dá muito trabalho para decorar e, portanto, não será necessário depois jogar na cara que mesmo aquele que não tem ciência da existência da lei está sujeito as suas penalidades. Em segundo lugar: essas 10 Leis são aplicáveis em todo o território global, não possuem exceções, emendas, incisos... e o principal: são extremamente democráticas, todo ser humano está sujeito a elas e não adianta alegar laço de parentesco com algum figurão, porque afinal somos todos filhos do Chefe Supremo. ---Mas o ser humano, que se acha maior e melhor que o próprio Deus, bem chegadinho a um exagero, resolve não somente fazer uma tonelada e meia de leis. Não... Isso não seria suficiente! Ele quer que ninguém entenda nada mesmo, pra ele poder chegar depois e punir... ou ganhar alguma coisa em troca para não punir. Então ele inventa o direitês, da mesma forma que inventou o economês e o mediquês. ---Tudo bem que existem outras línguas deste tipo, outros vocabulários de gueto, mas esses três, convenhamos, são os que mais se destacam! Merecem mesmo uma medalha de honra ao mérito (de enrolar os outros). Coincidência ou não, tanto os advogados quanto os médicos são os únicos profissionais com nível superior (graduação) que fazem questão de serem chamados de Doutor e ninguém acha ruim. Para nós, pobres mortais diplomados em outras profissões, é necessário ralar num mestrado e depois num doutorado para conseguir o mesmo chic tratamento. Se eu fosse economista, exigia também o direito ao Dr., afinal, eles conseguiram elaborar um dialeto que não deixa nada a desejar em relação aos outros dois. ---E a verdade é que eu ando meio de saco cheio dessa Língua do P de gente grande. Sinceramente, eu acho que a finalidade é a mesma da língua engraçada que costumamos utilizar na infância, ou seja, criar uma linguagem que só os nossos amiguitos entendem e assim ganhamos força, ganhamos “corpo” (ra-ti-vis-mo), ficamos mais importantes que os outros bobões que não entendem o que estamos falando. ---Minha falta de paciência para este tipo de coisa se explica através de diversas teorias, mas minha preferida é o fato de eu ser (com licença) profissional de comunicação e ter plena consciência de que escrever bem não é escrever difícil... quem sabe de verdade algo consegue transformar aquele conhecimento complexo em algo digerível para quem não é especialista... e também, e não menos importante, o que distingue alguém muito bom no que faz do resto da humanidade, não é a capacidade que tem de complicar aquilo aos olhos alheios, mas é fazer o simples de uma forma absolutamente única. ---Isso se aplica a praticamente tudo! Tenho um exemplo que carrego sempre na manga: fazer comida gostosa usando creme de leite e camarão é fácil! Quero ver fazer comida gostosa usando cenoura, chuchu, batata e uns temperos do quintal! E isso também tem a ver com o conceito de que o valor não está no “o que”, mas no “como” e o “como” cada um terá o seu, de uma forma muito peculiar. ---Mas quem vai compreender esta sutileza? (Quem? Quem?) Com certeza, não será alguém que acredita que o “dê-érre” antes do seu nome faz dele alguém diferenciado, melhor que os outros. Também não creio que será alguém que acredita de verdade nos critérios de provas, testes, concursos e competições de conhecimentos em suas diversas modalidades. Talvez por isso, apesar de aprovada e prestes a ser nomeada, ainda me atrai a possibilidade de passar mais uma vez, e outra e outra... Só pra ganhar no campo do adversário. É a pequena porção de guerreira menina super-poderosa que existe aqui dentro.
---Passei muitos anos da minha vida agindo de uma forma que julgava ser a perfeita ou a perfeita para os outros (que são coisas distintas) e me esqueci de agir de uma forma perfeita pra mim (que é uma terceira coisa). O resultado não poderia ser pior: não era bom pra ninguém! Muito menos perfeito! Cerca de 100% de insatisfação na estatística...rs
---Nossas escolhas acontecem, normalmente, baseadas em falsas premissas ou premissas artificialmente criadas. Se isso acontece de forma consciente ou inconsciente, aí já é outro detalhe. Mas a verdade é que de um modo geral não fomos criadas para ter um propósito de vida, não fomos criadas para atender ao chamado da nossa essência, as exigências da nossa alma, e por isso acabamos sempre nesta situação: perdendo muito tempo (anos, décadas) com uma forma de vida que nada tem a ver com o que somos ou o que queremos. Depois disso, ainda temos que enfrentar um outro período de tempo para acumular coragem de mudar.
---Eu comecei a perceber o processo todo em torno dos 30, mas ainda foram precisos uns 5 anos quebrando a estrutura existente (separação, realinhamento de metas de vida, reavaliação profissional) e mais uns outros 5 anos para me reerguer como pessoa, porque nessa quebradeira necessária a gente também se quebra, se machuca... Eu diria que agora, aos 40 anos, é que estou dando início à vida que realmente faz sentido, àquilo para o qual nasci. Então, pelo menos pra mim, o velho ditado faz sentido: a vida começa aos 40!
---Certa vez, meu sábio amigo Ronald Fucs (que ele não me leia, senão ficará todo bobo! rs) afirmou, com um grau de seriedade incomum: "a vida das pessoas se divide em antes dos filhos e depois dos filhos!" Segundo ele, essa experiência mágica e transcendente transformava seres naturalmente preocupados com o próprio umbigo em criaturas mais conscientes da existência do outro, menos egoístas, mais generosas. ---Passado tanto tempo, e hoje com um filhote de 14 anos, sou obrigada a concordar com meu querido amigo. Não é que o fato biológico, puro e simples, seja capaz de tal transformação... até porque conhecemos criaturas que tiveram filhos mas não são mães, nem pais... No entanto, quando a maternidade e a paternidade acontecem, de verdade, elas mudam a nossa perspectiva de vida de forma avassaladora. Talvez seja esse o espetacular momento em que a pessoa mais importante do mundo não pode ser mirada somente em frente do espelho, aliás, normalmente ela dorme o sono dos justos, o sono dos anjos, aquele que ficamos velando como bobos. ---Nunca fui lá uma criatura de muitas frescuras... Mas depois que o meu filho nasceu percebi como certas coisas que parecem tão importantes no A.F. viram tolices no D. F. Como costumava dizer, uma pessoa que é capaz de me acordar três vezes por noite e não sofre uma agressão, nem que seja verbal, com certeza é muito especial. ---O tempo passa e vamos aprendendo a abrir mão do último pedaço do doce favorito, do lugar mais confortável, do tempo para ficar só, das saídas noturnas diante de um rostinho triste, do sono quando a dor de garganta ataca de madrugada... E percebemos que a felicidade de outra pessoa pode ser mais importante do que a nossa e a alegria de outra pessoa pode nos deixar mais felizes. ---É claro que também é preciso ensinar os filhos a compartilhar, a compreender as necessidades dos outros, inclusive dos seus pais. É preciso mostrar os primeiros rascunhos do que você já aprendeu e no futuro ele aprenderá: que o próprio umbigo não é o sol da humanidade. Mas não há dúvida que somente quem aprendeu o amor aos filhos consegue ter um vislumbre do amor divino, do amor essencial e desapegado. Tudo bem... é só um vislumbre... uma olhadela pelo cantinho da cortina levantada... Mas já é alguma coisa, algo a mais que o próprio reflexo no espelho.
---Esse período em casa tem me deixado muito reflexiva...Nesta fase de reavaliar tantas coisas na minha vida, tenho pensado que me incomoda muito a sensação de estar sempre atrasada. Talvez o fato de não ter tido a ousadia e a iniciativa de fazer certas coisas na época certa me colocaram pra fora de um processo que hoje floresce, frutifica, “virou moda”, tá no topo. ---Nos meus tempos de 17 anos, tinha três grandes paixões: cozinhar e criar novas receitas, pensar em novos objetos e novas utilidades para eles na decoração de uma casa e criar modelos de roupinhas (que nunca aconteciam de verdade, porque eu não sabia desenhar direito e, portanto, a costureira não podia ver meus pensamentos). Naquele tempo essas coisas eram chamadas de passatempo, algo pra fazer nas horas vagas. Então, quando fui escolher qual faculdade fazer a opção óbvia pareceu ser Comunicação, pois minha facilidade para escrever somada ao poder de observação e análise pareciam ser os ingredientes perfeitos para a profissão. ---Hoje, meus passatempos viraram profissões chics, bem posicionadas e rentáveis. Também ganharam novos nomes: Gastronomia (também tem a irmã pobre, Nutrição), Design de Ambientes e Moda, todos com direito a curso de graduação, pós-graduação e outras sofisticações. Sei que não se vive de “se”, mas... ---Pegando carona nestes pensamentos, também percebi que tenho um certo talento metafísico de prever movimentos culturais. Não, não é uma questão de estar antenada com locais de agito ou utilizar as cartas de tarot para prever as tendências. Simplesmente acontece! A última agora foi em relação a algo tão íntimo e pessoal quanto minha vida doméstica. Venho passando por transformações profundas, questionamentos antes inquestionáveis sobre: trabalho, carreira profissional, casa, família, talentos, gostos... Descubro que desejo muito mais um caminho de beleza, criatividade e extremamente doméstico, do que a tal carreira profissional de sucesso, para logo em seguida descobrir que não sou só eu. Caramba! As mulheres estão na contramão da história! ---Não sei se não estava mais satisfeita sozinha. O problema agora é esse negócio virar moda e eu ficar só na moda ao invés de ficar só na minha. Não que isso também seja problema, mas não confere com a realidade. ---Já que o plano A e o plano B já se foram, vamos agora para o plano C – de Cláudia – o plano para viver a minha vida, do jeito que quero e gosto.
---Encontrei esta foto em um dos sites por onde passei (não me lembro qual, que vergonha!) E achei muito perfeito, porque somos fragmentados, temos vários "Eus", como o Fernando vive me lembrando aqui! Mas, eu costumo ponderar: se unificar todos eles e encontrar o seu Eu Superior ou Eu Integral é tão complicado, que ao menos consigamos fazer com que essa galera reme o barco para o mesmo lado ;-) ---Tenho entrado em acordo com os meus eus. Às vezes eles são meio rebeldes, mas de um modo geral têm conseguido trabalhar em equipe. ---Então, resolvi criar espaços específicos para pelo menos três deles: o eu escritor viajante, o eu tarólogo e o eu "prendado", que adora cozinhar, mexer na terra, fazer artesanato e coisas de mulherzinha. Tenho o prazer de apresentá-los a vocês: A moça escritora: pitacosdamorgye@blogspot.com (você já está aqui!) A mulher prendada: bichofofo@blogspot.com A anciã dos mistérios: viatarot@blogspot.com Tem mais gente aqui dentro, mas por enquanto só essas três têm direito à publicidade...hehehe
---Estou adorando esse negócio de artesanato. Passei a infância e a adolescência ven- do minha mãe fazer coisinhas coloridas e nunca me interessei pelo assunto. Mas há alguns anos o gen do artesanato co- meçou a dar as caras. E como a coisa é genética, não tenho muito como fugir. ---Obrigada, mãe! :-))) ---Estava reparan- do agora mesmo que eu, que sou jornalista e sempre fui mais escritora do que qualquer coisa, ando escrevendo menos e postando mais os meus feitos artísticos ou a natureza que me cerca. Acho que estou trilhando o caminho do abstrato para o concreto. Fazendo da minha vida algo menos planejamento estratégico e mais mão na massa. E estou adorando! ---Aliás, preparem-se porque creio que em breve teremos também uma máquina de fazer macarrão em casa. Então, de assessora de comunicação talvez eu consiga me transformar em um híbrido de artesã taróloga chefe de cozinha alquimista paisagista decoradora de (vidas) ambientes. Ufa...rs ---Tô feliz... ---Ah! Olha que lindos os anéis que estou fazendo! Aguardo encomendas! Estes em breve estarão na loja do Caminho do Artesanato. Pra quem for de São Lourenço, é só dar um pulinho na Aldeia Vila Verde, loja 62 (mãe, nem vou cobrar pela publicidade). Pra quem não for daqui... hummm... a gente despacha pelo correio! É só escrever cmg@starweb.com.br
---Como todos sa- bem (ou deveriam saber), a natureza não funciona que nem reloginho. Aliás, essa coisa de hora certa e absoluta, marcada com precisão, é coisa do bicho homem, macaco sem rabo. Na natureza as coisas acontecem de uma forma toda pró- pria, sem hora marcada e sem algum chato, batendo com os dedos no relógio de pulso, pra avisar que você está atrasada (sinto algum rancor no comentário? Nãããão...imagina!) De fato, nunca me entendi muito bem com Cronos, eu e hora certa não somos muito amigas. ---Então... Então que os pés de rúcula já estão dando flor! Aliás, não somente eles. Meu quintal já está ensaiando a explosão orgástica da primavera. Hehehe! As amoreiras estão absolutamente lotadas de frutas, por enquanto são quase que umas florzinhas esquisitas, mas em breve serão amoras polpudas e da cor mais bela que há! ---Por enquanto, ficamos com as flores de rúcula que agora enfeitam a mesa da cozinha.
---Em fase de artesã, continuo descobrindo o prazer de criar coisas fofas em geral e às vezes coisas mais radicais. ---A criação da vez foi uma capa de feltro decorada para um caderno espiral, meu novo Livro das Sombras. Na verdade, nunca consegui ter um Livro das Sombras daqueles tradicionais, acabo escrevendo várias coisas como sonhos, percepções, intuições, além de receitas de chás, banhos, incensos, etc.
---Depois de uns 20 dias de frio intenso, o sol resolveu comemorar o sabath de 1º de agosto na real, ou seja, retornando mesmo! Que bom! Não aguentava mais passar 24 h por dia cheia de casaco e com pilhas de cobertores em cima para conseguir dormir a noite.
---Agosto começou bem, meu ano novo idem. Estou tão feliz que às vezes parece que estou sonhando. O detalhe: sem maiores razões externas, o que é bacana... sinal que a felicidade está dentro e, portanto, não pode ser abalada por outra pessoa que não seja eu mesma. --- Que venha o sol!
---Segundo a tradição xamânica BF tirar fotografias faz com que nossa alma seja fragmentada e algum louco pode querer roubá-la (pra fazer o que, não se sabe!). Portanto, essa é a única foto do meu aniversário permitida para a divulgação pelo controle do departamento de segurança da BF (I)ltda! ---Ho!!!!!
---Não sei como a coisa funciona em casa alheia, mas na minha casa comida gostosa merece beijinhos! Não na comida, claro, mas na cozinheira! Eu, no caso! rs Aliás, bastariam os suspiros que o Fernando dá quando come em deleite algum quitute que eu faço, mas, como sou uma garota sortuda, eu ainda ganho beijos, elogios e carinhos. Ê, vida boa!!! ---Para quem quiser tentar para ver se dá certo em casa, vou passando algumas receitinhas que costumo fazer e que sempre agradam. A de hoje foi meio na pressa, depois de passar metade do dia limpando e arrumando a casa e a outra metade redigindo um projeto de comunicação para entregar na segunda-feira, mas ainda assim ficou muito bom o resultado. Pra quem não gosta de perder tempo na cozinha então... melhor ainda! ---Espaguete "Até que enfim é sexta-feira!" ---Ingredientes: ---meio pacote de macarrão (o Fernando gosta mais de espaguete, mas pode ser de outro tipo...melhor descobrir que tipo de macarrão a "vítima" prefere) ---3 dentes grandes de alho ---1 maço de rúcula (gente, não é pra botar inveja não, mas a minha eu colho no quintal, rs) ---1 galhinho de manjericão (idem...rs) ---1 lata de atum light (daqueles em água e sal) ---meia lata de molho de tomate ---um pouco de orégano, um pouco de sal, um pouco de pimenta (fiz um molho de pimenta leve e costumo usar pra isso, depois eu passo a receita também) ---Como fazer: ---Cozinhe o macarrão e escorra. Numa panela coloque um pouco de óleo de milho, o alho picado e refogue. Depois acrescente aos poucos, mexendo sempre, a rúcula, o atum, o manjericão e o molho de tomate. Se vc fez o macarrão al dente então é legal porque dá para colocar um pouquinho de água, jogar o macarrão na panela e mais os temperos e deixar ferver um pouquinho. Mas só um pouquinho! ---Com um vinhozinho vai muito bem depois de um dia agitado!
---Pois bem que minha amiga Cris recebeu o con- selho e passou adiante: a grande sacada é ser uma simples margari- da!!! ---Durante um tempo eu nem quis acreditar, pois estava tão viciada na minha postura atu- ante, militante, descolada, ques- tionadora... blablablá... que não podia acre- ditar numa exis- tência sem isso tudo e o stress que isso nos traz. Incrível descobrir que existe vida além do papo-cabeça! rs ---Estou adorando esses meus dias de simples margarida!!!! Estou colocando meus conceitos de pernas pro ar e meus pés descansam pra cima (literalmente! Olha a foto!) enquanto eu costuro, bordo, desenho (na verdade, é uma tosca tentativa), uso meus lápis-aquarela, faço doces deliciosos para os meus amores e leio, enquanto bebo vinho... ou curto o sol se pondo na varanda... ou mexo na horta, desbasto as cenouras, colho rúcula... ah, sim, e namoro. Porque é sempre bom namorar quem a gente ama, principalmente se ele mora com a gente e nem é preciso sair de casa para encontrá-lo! ---Retorno ao trabalho no dia 30, mas num ritmo bem mais suave. Ainda assim, depois de passar esses dias maravilhosos, dá para entender o que a Lília quer dizer quando colocou o nome do seu blog de "vadiando". A palavra, que teria uma conotação negativa para mim, há algum tempo, hoje me parece muito agradável. Bem que meu pai dizia que eu tinha sido contaminada pela síndrome da revolução industrial e não conseguia parar de produzir (ou ao menos pensar em produzir)! Mas estou em tratamento e, em breve, estarei curada. Às vezes nos preocupamos tanto em fazer coisas que nos esquecemos de, simplesmente, viver. Tenho vivido.
---Engraçado... Eu sempre tive o hábito de abraçar árvores. Desde criança! Mas parece que nos últimos anos, quando a seriedade e a melancolia baixaram por essas (minhas) bandas, me esqueci desta atividade de integração com a Natureza...rs ---Que bom que relembrei!!!
---Eu e Fernando descobrimos um bosque muito lindo, pertinho da nossa casa e agora é nosso lugar mágico de estimação. ---Aproveitei para colher pinhas e bambus que estavam caídos pelo chão, pedindo, é claro, autorização para o elementais do local. E é bom pedir mesmo, porque ali é possível sentir a presença de guardiões, de olho, vendo o que se faz. ---O que é mais surpreendente é que esse bosque fica entre uma rua de terra - meio escondida, mas dentro do bairro onde moramos - e (pasmem!) um tipo de boate ou forró, ou as duas coisas juntas, chamada de "Escondidinho". Não sei como aquela área ainda consegue estar tão preservada! Os elementais-guardiões devem ser mesmo muito competentes!
Jornalista, taróloga e pensadora compulsiva. Intensa, um pouco complicada, nem sempre perfeitinha. Bem-humorada, sem dúvida! Chatinha e detalhista? Com certeza. Sonhadora com os pés no chão... Séria risonha... "mulher paradoxo" para alguns, mas, no fundo, apenas uma mulher.